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Educação Sentimental

Educação Sentimental

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Com quase 50 anos de carreira, o diretor carioca Júlio Bressane é um raro modelo de artista que não deixou com que o tempo sucumbisse o seu modo de fazer cinema. Isto não o impede de continuar produzindo até hoje, já contabilizando, entre longas e documentários, nove títulos desde o início da década passada.

“Educação Sentimental” é um filme mais interessante que os recentes “Cleópatra” e “A Erva do Rato” porque é capaz de revelar o perfil de Bressane em meio ao flerte de enigmas visuais difíceis de serem elucidados. Mais do que acompanhar a sintonia instantânea entre uma professora e um aprendiz, “Educação Sentimental” se ampara no apego pelo antiquado.

Áurea (Josi Antello, extraordinária) contempla de uma sacada um rapaz (Bernardo Marinho) em uma piscina. A aproximação nos revela uma mulher madura e solícita em educar um adolescente ingênuo em busca de uma identidade. As aulas particulares são aplicadas na residência de Áurea, mas o ambiente se assemelha a de uma escola, conforme ressaltado com o som executado por Damião Lopes e Vanílton Santos de colegiais interagindo.

Diante de um relacionamento estreito, Áurea encanta-se com a prestação de seu jovem aprendiz enquanto este a deslumbra como uma figura que o seduz devido o seu intelecto. Tal reciprocidade é abalada quando o âmago de ambos é exposto. Se Áurea é abatida pela solidão, o personagem de Bernardo Marinho se deixa influenciar por uma didática que resultará na intromissão de sua mãe (Débora Olivieri) na relação.

A presença masculina segue frágil nos filmes de Bressane (é perceptível a inexperiência de Bernardo Marinho ao lidar com um texto difícil e recitado de modo pouco usual) e ele permanece enaltecendo suas protagonistas. Áurea é uma representação de um modo de expressão extinto. A didática que prioriza a capacidade do ouvir do aluno se mostra tão raro quanto o uso da película para a realização de um filme, atualmente vitimada pela expansão do mercado digital. Uma metáfora que se mostra a maior virtude de um filme comprometido apenas pela quebra do lirismo de sua encenação em seu extenso making-off usado como encerramento.

Educação Sentimental, 2013 | Dirigido por Júlio Bressane | Roteiro de Júlio Bressane e Rosa Dias | Elenco: Josi Antello, Bernardo Marinho e Débora Olivieri | Distribuidora: Ludwig Maia Arthouse | Mostra Brasil

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