Skip to content

O que se Move

O que se Move

Em sua estreia na direção de um longa-metragem, Caetano Gotardo toma a escolha arriscada de se dedicar na construção não somente de uma única história, mas de três. O diferencial que assegura a autenticidade de “O que se Move” está em não entrelaçá-las. As artimanhas usadas para justificar coincidências que ligam personagens se mostram ultrapassadas após tantas produções que adotam esse padrão e Caetano Gotardo é feliz ao conduzir três segmentos enxutos em que a única ligação está na escolha de atrizes como protagonistas de histórias sobre a dor da perda em suas diferentes extensões.

Todas as personagens de “O que se Move” sofrem com a interrupção de um ciclo de continuidade. Maria Júlia (Cida Moreira), Sílvia (Andréa Marquee) e Ana (Fernanda Vianna) já tiveram a oportunidade de desempenharem o papel de mãe, seja por muito ou por pouco tempo. Daí a atmosfera lúgubre que se manifesta em “O que se Move”: como seguir em frente e reencontrar a felicidade sem a presença do filho concebido?

Presença aos poucos fortalecida no primeiro segmento de “O que se Move”, Maria (Cida Moreira) é uma funcionária veterana com um cargo de prestígio no colégio em que estuda o seu filho caçula. Já Sílvia (Andréa Marquee) compartilha com o marido as dores de viver após se mostrarem incapazes de superar uma perda recente. Por fim, Ana (Fernanda Vianna) está inquieta com a possibilidade de rever um filho que abandonou assim que ele nasceu.

Mesmo que a história protagonizada por Cida Moreira apresente problemas no que diz respeito à falta de naturalidade entre as interações de membros de uma mesma família e uma surpresa que não condiz com o perfil de determinado personagem, os três segmentos de “O que se Move” são certeiros ao evidenciar instintos maternos que jamais enfraquecem com o tempo, independente da circunstância com que isto desperta no âmago de Maria, Sílvia e Ana.

Caso se sustentasse somente com essa força, “O que se Move” certamente obteria um resultado acima da média. Caetano Gotardo pretende ir além e para isso recorre à música para ressaltar a dor de suas três protagonistas. São nas músicas escritas por Marco Dutra (diretor de “Trabalhar Cansa“) que “O que se Move” atinge seu limite. Embora desempenhadas com intensidade pelas atrizes, as canções somente reprisam aquilo que o espectador já decodificou de antemão. Não era preciso.

O que se Move, 2013 | Dirigido por Caetano Gotardo | Roteiro de Caetano Gotardo | Elenco: Cida Moreira, Andréa Marquee, Fernanda Vianna, Rômulo Braga, Wandré Gouveia, Henrique Schafer, Gabriel Dos Reis, Dagoberto Feliz, Adriana Mendonça,Larissa Siqueira, Anne Rodrigues, Marina Corazza, Beto Matos, Danilo Grangheia e Ledda Marotti | Distribuidora: Lume Filmes

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: