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Wolverine: Imortal

Wolverine: Imortal | The Wolverine

O astro Hugh Jackman ficou desolado após a possível conclusão da franquia “X-Men” com o capítulo “O Confronto Final”. A ausência de grandes sucessos de bilheteria (“Austrália” ainda é lembrado como um dos épicos românticos mais desapontadores dos últimos anos) e a participação em projetos de gosto duvidoso (“A Lista: Você Está Livre Hoje?”) pareciam ameaçar a permanência do australiano em Hollywood.

Hugh Jackman se precipitou ao reviver às pressas o seu maior personagem em “X-Men Origens: Wolverine“. O filme representou o encontro de tudo aquilo que prejudica umaadaptação de histórias em quadrinhos: cenas de ação sem personalidade, presença de inúmeros personagens sem o desenvolvimento dramático aguardado, traição de suas origens e um humor quase nonsense (Wolverine se refugiando nu para uma fazenda não foi agradável nem diante de olhos femininos). Felizmente, “Wolverine: Imortal” traz o personagem em sua melhor forma.

Há dois fatores que diferenciam “Wolverine: Imortal” de um filme de herói medíocre. O primeiro fator está na escolha em adaptar uma aventura atípica de Wolverine. Escrito por Mark Bomback e Scott Frank, o roteiro é inspirado em “Eu, Wolverine”, HQ concebida pela dupla Chris Claremont e Frank Miller que traz Logan/Wolverine no Japão. O segundo fator é a assinatura de James Mangold na direção. Um dos cineastas mais ecléticos do cinema americano, Mangold já passou por quase todos os gêneros cinematográficos e confere personalidade a “Wolverine: Imortal”.

No prólogo da história, Wolverine salva o jovem oficial japonês Yashida (Ken Yamamura) quando a explosão de uma bomba atômica destrói Nagasaki. O mesmo Yashida reaparece na vida de Wolverine já nos dias atuais, dando sequência aos acontecimentos narrados em “X-Men: O Confronto Final”. A morte de Jean Grey (Famke Janssen) traumatiza Wolverine e o seu principal desejo é perder a própria imortalidade. Inválido, Yashida (agora vivido por Hal Yamanouchi) obriga Wolverine a ir para o Japão e lhe diz que pode realizar o seu desejo de transformá-lo de mutante para ser humano.

Acompanhado por Yukio (a revelação Rila Fukushima, ex-modelo que rouba a cena), que foi adotada por Yashida como uma filha, Wolverine verá que sua estadia no oriente o obrigará a usar suas habilidades mutantes quando a Yakuza entra em cena para sequestrar Mariko (Tao Okamoto), a querida neta de Yashida pela qual ele se apaixonará.

Em meio a cenas de ação espetaculares (a do trem-bala talvez seja a mais eletrizante testemunhada no cinema neste ano), James Mangold jamais se desprende do drama que atormenta Wolverine. A vulnerabilidade do herói é posta em xeque não somente em seus sonhos com Jean Grey como também ao notar que é alvo de uma conspiração que o faz gradativamente perder sua resistência. Trata-se de uma antítese desse sub-gênero de super-heróis, pois “Wolverine: Imortal” se sobressai justamente ao se distanciar do que é reconhecido desse universo.

Quando tudo indica que “Wolverine: Imortal” será um dos melhores filmes já feitos desse filão, eis que James Mangold precisa recuar para que a história faça jus às suas origens. Portanto, desaparece toda a jornada existencial de Wolverine e se manifesta as mediocridades dos filmes de super-heróis, com direito a uma vilã, Viper (a russa Svetlana Khodchenkova, de “O Espião que Sabia Demais“), afetadíssima e uma surpresa digna de um quadrinho ensebado de quinta. Que o mesmo pecado não seja repetido em “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”.

The Wolverine, 2013 | Dirigido por James Mangold | Roteiro de Mark Bomback e Scott Frank | Elenco: Hugh Jackman, Rila Fukushima, Tao Okamoto, Hiroyuki Sanada, Svetlana Khodchenkova, Brian Tee, Hal Yamanouchi, Will Yun Lee, Ken Yamamura, Famke Janssen, Patrick Stewart e Ian McKellen | Distribuidora: Fox

3 Comments

  1. Concordo sobre o filme buscar um tom diferenciado nos “filmes de super-heróis”, o que é bom. Só acho que esse luto por Jean Grey já deu… Mas eu gosto dessa opção do diretor em buscar a reflexão do mutante. Pena que o final obriga James Mangold a injetar uma ação que combina muito mais com o “X-Men Origens” que esse filme aqui. E aquela vilã de pele de cobra é um saco. Abs!

    • Isso mesmo, Otávio. Talvez não fosse necessário tantos pesadelos com Jean Grey, mas nada que incomode tanto. E a Viper só perde para o Samurai de Prata no quesito vergonha alheia. Um abraço.

  2. […] e “Ligeiramente Grávidos”. Respectivamente em terceiro e quarto lugar, “Wolverine: Imortal” e “A Bela que Dorme” praticamente empataram na média das avaliações […]

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