Skip to content

Branca de Neve

Branca de Neve | Blancanieves

Em uma ocasião rara, Hollywood se viu viabilizando duas versões para lá de livres de “Branca de Neve e os Sete Anões” simultaneamente. Em comum, “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador” têm a ambição em transformar Branca de Neve em um reflexo do que as garotas de hoje visualizam como uma verdadeira heroína. Eliminam-se a doçura e ingenuidade, apresentam-se bravura e o manejo de uma espada.

Poucos notaram, mas houve um terceiro Branca de Neve, este espanhol, em meio a este fenômeno de revisitar uma das histórias mais famosas dos irmãos Grimm. E a origem é mais modesta e eficaz, pois o segundo longa-metragem de Pablo Berger se apropria de “Branca de Neve e os Sete Anões” com um tom mais respeitoso.

Portanto, mais do que reapresentar personagens que há muito povoam o imaginário coletivo, “Branca de Neve” apresenta nova ambientação e recorre à estética do cinema mudo. Em preto e branco esplendoroso em janela de 1.33:1 e com condução musical sublime de Alfonso de Vilallonga, “Branca de Neve” se passa na Espanha de 1920 e tem sua protagonista batizada como Carmen. Filha do toureiro Antonio Villalta (Daniel Giménez Cacho), Carmen perdeu a mãe quando esta lhe deu à luz. Embora seja criada por sua avó Doña Concha (Ángela Molina), a pequena logo terá de enfrentar as malvadezas de sua madrasta Encarna (Maribel Verdú, uma das atrizes mais notáveis de sua geração).

Adolescente e nas formas da bela estreante Macarena García, Carmen se vê isolada não somente do mundo, como do seu próprio pai, é que trancafiado por Encarna em um quarto de sua bela mansão. Uma série de acontecimentos imprevistos fazem com que Carmen conheça um sexteto (e não septeto) de anões que sobrevivem como artistas de circo, o que possibilitará a jovem a oportunidade de testar as suas próprias habilidades como toureira herdadas pelo seu pai durante sua tenra infância.

Embora as interações expostas em letreiros explicativos culminem em uma referência desnecessária à existência de “Branca de Neve e os Sete Anões”, o que consequentemente fará com que alguns acontecimentos cruciais sejam antecipados, “Branca de Neve” é comovente pela paixão presente nas homenagens que presta à Espanha, à fantasia e ao cinema. Uma pena que a aceitação conferida a “O Artista” não tenha assegurado a popularidade de “Branca de Neve” diante do público, que perdeu a chance de assistir a um dos melhores filmes exibidos no circuito comercial no ano passado.

Blancanieves, 2012 | Dirigido por Pablo Berger | Roteiro de Pablo Berger | Elenco: Macarena García, Maribel Verdú, Daniel Giménez Cacho, Ángela Molina, Inma Cuesta, Sofía Oria, Sergio Dorado, Emilio Gavira, Alberto Martínez, Jinson Añazco, Michal Lagosz, Jimmy Muñoz e Carlos Lasarte | Distribuidora: Imovision

3 Comments

  1. […] Ferpeito”), Kiko de la Rica estabeleceu uma parceria de risco com Pablo Berger em “Branca de Neve”. Mais do que dar uma nova perspectiva para o já exaustivamente revisitado “Branca de Neve […]

  2. […] Embora as interações expostas em letreiros explicativos culminem em uma referência desnecessária à existência de “Branca de Neve e os Sete Anões”, o que consequentemente fará com que alguns acontecimentos cruciais sejam antecipados, “Branca de Neve” é comovente pela paixão presente nas homenagens que presta à Espanha, à fantasia e ao cinema. Uma pena que a aceitação conferida a “O Artista” não tenha assegurado a popularidade de “Branca de Neve” diante do público, que perdeu a chance de assistir a um dos melhores filmes exibidos no circuito comercial no ano passado. + […]

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: