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Ela

Ela | Her

Há quem ainda discuta a complexidade por trás de cada pós e contra da tecnologia. Ela facilitou o modo como operamos nossas vidas ou somente nos sobrecarregou? A comunicação é mais eficiente ou superficial? Ter várias ferramentas a um clique de distância é prazeroso ou compromete a capacidade de socialização? Se depender da perspectiva negativa de Spike Jonze em “Ela”, todos nós seremos indivíduos sozinhos no meio de multidões.

Ao dirigir o seu primeiro longa-metragem baseado em um roteiro original de sua própria autoria, Jonze garantiu para si três menções ao Oscar: como produtor, como roteirista do argumento original e como compositor junto com Karen O da canção “The Moon Song” – “Ela” também é finalista nas categorias de Melhor Trilha-Sonora Original e Melhor Direção de Arte. Experiente em trabalhar com realidades paralelas, Jonze já fez muito melhor ao oferecer mais possibilidades em narrativas como as de “Onde Vivem os Monstros” e “Adaptação”.

Em mais um papel baixo-astral, Joaquin Phoenix vive Theodore, um homem maduro fora de sintonia com os ambientes que transita. O comportamento introvertido de Theodore é justificado com um processo doloroso de separação com Catherine (Rooney Mara). Ambos viviam um relacionamento muito próspero desde que se apaixonaram na faculdade, mas o tempo revelou uma Catherine destrutiva que Theodore não havia conhecido.

Enquanto não toma a decisão de assinar os papéis necessários para consolidar o divórcio, Theodore se ocupa com o trabalho em uma agência especializada em compor cartas para os seus clientes e com um jogo virtual interativo. Somente a amizade preservada com Amy (Amy Adams) e as conversas breves com o seu colega de trabalho Paul (Chris Pratt) mantêm Theodore conectado com a realidade.

Os temas de Spike Jonze se revelam com maior intensidade no momento exato em que Theodore ativa um sistema operacional de inteligência artificial que se apresenta como Samantha (voz de Scarlett Johansson, que substituiu Samantha Morton quando Jonze notou que ela não construiu com Joaquin Phoenix a sintonia aguardada). As expectativas dele com Samantha são superadas de modo tão imediato que sua presença parece física.

A troca de confidências acarreta em um relacionamento íntimo que colocará Theodore em uma situação muito delicada. Como tornar público um “namoro” que não será compreendido por todos, como fica bem claro através da reação nada positiva de Catherine? Será tarde demais quando Theodore recobrar a sua sensatez? Questionamentos com resoluções previsíveis ou soluções fáceis para uma história que pretende ser tão autêntica.

Pior do que isso são os personagens fechados no universo hipster de “Ela”. Se há filmes que frustram com um excesso de felicidade que nada condiz com a realidade, o mesmo se aplica quando a emoção é oposta. Além de Theodore, os personagens secundários de “Ela” estão totalmente estagnados na vida. Uns querem um relacionamento sério já no primeiro encontro às escuras (como a jovem vivida por Olivia Wilde). Outros querem experimentar um amor pleno falso como surrogate (Portia Doubleday). Há até quem prefira viver na solidão do que admitir para o próprio parceiro que perdeu as estribeiras em uma discussão trivial, como a própria Amy faz. Jonze acha que a culpa disso tudo é das interações instantâneas do mundo moderno, mas o verdadeiro problema são os seus personagens deprimidos que preferem culpar o estado das coisas ao invés de dedicar algum esforço para mudá-lo.

Her, 2013 | Dirigido por Spike Jonze | Roteiro de Spike Jonze | Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Chris Pratt, Matt Latscher, Olivia Wilde, Laura  Kai Chen, Portia Doubleday e vozes de Scarlett Johansson, Kristen Wiig, Bill Hader, Spike Jonze e Brian Cox | Distribuidora: Sony

2 Comments

  1. Day Day

    Que critica ruim,não entendeu nada o filme .

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