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Resenha Crítica | 12 Anos de Escravidão (2013)

 

Quando “12 Anos de Escravidão” começou a ser exibido os festivais de cinema, a sensação que se teve diante de reações tão calorosas é a de que Steve McQueen havia concebido um dos filmes mais completos sobre a escravidão. Potencial para o projeto alcançar este status não faltou, pois o roteiro de John Ridley baseia-se no livro homônimo de  Solomon Northup, negro que nasceu livre e que por mais uma década sofreu física e psicologicamente na condição de escravo.

Ao julgar pela receptividade de “12 Anos de Escravidão”, os americanos se sensibilizaram com a história de Solomon. No Oscar 2014, a produção recebeu nove indicações. Embora favorito, “12 Anos de Escravidão” tem como grande oponente “Gravidade”, o novo filme de Alfonso Cuarón que assegurará várias vitórias nas categorias técnicas e que com grandes possibilidades de ofuscar o drama de Steve McQueen nos principais prêmios da noite de 2 de março.

Casado e pai de dois filhos, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor, que finalmente recebe sua primeira indicação ao Oscar após construir uma carreira com desempenhos extraordinários) prospera em Saratoga, Nova York, ao trabalhar como violinista. Ao ser enganado por dois sujeitos que lhe prometem um trabalho bem remunerado, Solomon se vê acorrentado e encarado como mercadoria. Ao longo de 12 anos, ele se transformará em propriedade do vendedor de escravos Freeman (Paul Giamatti), do aparentemente bem-intencionado fazendeiro Ford (Benedict Cumberbatch)  e de Edwin Epps (Michael Fassbender), um cristão fundamentalista.

Se em “Shame” Steve McQueen buscou desenhar o perfil de seu protagonista ao prolongar os registros de seus rituais sexuais, ele faz o mesmo ao encenar a brutalidade existente entre negros dominados por brancos. A diferença é que não há o poder da sugestão em “12 Anos de Escravidão”. A violência é nua e crua, como visualizamos em cada agressão desferida a Patsey (Lupita Nyong’o) e em um longo take em que Solomon precisa se equilibrar na lama para que uma corda presa no galho de uma árvore não o enforque.

O choque usado como ferramenta discursiva, mesmo não tão eficaz quanto em “Manderlay”, surte efeito pelo modo gráfico como McQueen o exibe e pelo empenho de três intérpretes muito especiais. Se Chiwetel Ejiofor é perfeito no modo como se comporta como um homem coagido e a extraordinária estreante Lupita Nyong’o materializa as dores incessantes de sua Patsey com uma entrega de corpo e alma, Sarah Paulson equilibra os excessos pontuais de Michael Fassbender ao viver sua esposa gélida e traída.

Outro incômodo, este nada louvável, está na incapacidade de “12 Anos de Escravidão” em estabelecer uma linha cronológica clara. Mesmo que a trajetória narrada seja extremamente dolorosa, a passagem do tempo é uma personagem essencial ignorada no roteiro. Algo que compromete a força que deveria se fazer presente na conclusão de “12 Anos de Escravidão”, bem como a sensação de um dia como eternidade para escravos com corpos constantemente açoitados e que, ao contrário de Solomon, jamais conheceram a liberdade dentro de uma sociedade movida pela intolerância racial.

12 Years a Slave, 2013 | Dirigido por Steve McQueen | Roteiro de John Ridley , baseado no livro homônimo de Solomon Northup| Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong’o, Sarah Paulson, Paul Dano, Alfre Woodard, Garret Dillahunt, Brad Pitt, Scoot McNairy, Taran Killam, Christopher Berry, Quvenzhané Wallis, Cameron Zeigler, Kelsey Scott, Ashley Dyke, Dwight Henry, Benedict Cumberbatch e Paul Giamatti | Distribuidora: Disney

 

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