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Resenha Crítica | 300: A Ascensão do Império (2014)

Quando ainda não era considerado pela sua protegida Warner Bros. como um “diretor visionário”, Zack Snyder fez de “300” um dos filmes visualmente mais arrebatadores entre os blockbusters da década passada. Dentro de universos plasticamente belos criados através de efeitos visuais, “300” só perdia para “Sin City – A Cidade do Pecado”. Fora isso, o filme não tinha muito mais o que oferecer. Após oito anos desde o seu lançamento, ficaram na memória apenas a forte presença em cena de Gerard Butler como o Rei Leonidas, a estranha caracterização de Rodrigo Santoro como Xerxes e a promessa de um bom texto quando este era assumido pela Rainha Gorgo de Lena Headey.

Devido aos compromissos de Zack Snyder com “O Homem de Aço”, ele precisou passar a batuta para outro realizador. A escolha de Noam Murro é incomum, pois este cineasta israelense tem como único crédito a direção de “Vivendo e Aprendendo”, comédia indie protagonizada por Sarah Jessica Parker lançada direto em DVD no Brasil. O fato de Snyder supervisionar “300: A Ascensão do Império” ao assumir os créditos de roteirista e produtor comprometem parcialmente a independência de Murro diante de sua primeira super produção, mas a troca de profissionais por trás das câmeras é sentida em um ponto do filme.

A primeira decisão sábia de “300: A Ascensão do Império”é o fato de não se tratar de uma continuação convencional ou mesmo um prequel. A narrativa, embora recorra aos flashbacks, trata de uma batalha que se deu paralelamente ao confronto dos 300 de Esparta contra o Xerxes. De um lado, temos o líder grego Themistocles (Sullivan Stapleton) com sua tropa de homens destemidos. Do outro lado, há Artemisia (Eva Green) e sua obstinação em Atenas, mesmo que para isso precise passar por cima das ordens de Xerxes, cuja origem é mostrada no primeiro ato de “A Ascensão do Império”.

Se na produção original as lutas aconteciam em terra firme, em “A Ascensão do Império” a ação é encenada em alto-mar. Isso permite que a produção contenha uma personalidade distinta. Ainda que o slow motion e os feixes artificiais de luz natural remetem a Zack Snyder, Noam Murro privilegia uma violência mais crua. Membros são decepados sem cerimônia e o sangue digital transborda a tela a cada minuto.

Mesmo com os benefícios vindos com a troca de diretores, “A Ascensão do Império” é infinitamente superior a “300” por um único motivo: Eva Green. Há tempos não se via alguém tomar todo o filme para si e a atriz, que povoa o imaginário masculino desde sua grande estreia em “Os Sonhadores”, agarra o papel de Artemisia com um fervor inesperado. Através do bom desenho da personagem, Eva Green consegue validar as motivações compreensíveis de sua Artemisia e ainda entrega uma vilã memorável capaz de usar o próprio corpo para ludibriar seus inimigos. Eis uma ocasião rara em que a nossa torcida vai todinha para a bad girl.

300: Rise of an Empire, 2014 | Dirigido por Noam Murro | Roteiro de  Kurt Johnstad e Zack Snyder, baseado na graphic novel “Xerxes”, de Frank Miller | Elenco: Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, David Wenham, Rodrigo Santoro, Jack O’Connell, Andrew Tiernan, Igal Naor, Andrew Pleavin, Ben Turner, Ashraf Barhom, Christopher Sciueref, Steven Cree, Caitlin Carmichael e Jade Chynoweth | Distribuidora: Warner Bros.

 

2 Comments

  1. Quem assistiu a “Os Sonhadores”, diria que Eva Green tinha um potencial enorme para se tornar uma grande atriz, mas as escolhas dela no cinema hollywoodiano não foram boas. Não acho que essa sequência deveria ter acontecido e pelo que ando lendo, o trailer é uma propaganda enganosa ao nos fazer crer que Rodrigo Santoro tem um papel de destaque. Sua crítica é somente mais uma das que afirmam que Eva Green é o diferencial de “300: A Ascensão do Império”.

    • Hum, permita-me discordar, Kamila. Eva Green sempre deixou claro que nunca foi sua intenção consolidar uma carreira em Hollywood. Tanto que ela recusou inúmeras ofertas somente para fazer aquilo que desejava. Gostei muito de algumas de suas escolhas. Ela é um dos maiores trunfos de “Casino Royale” e ainda protagonizou “Sentidos do Amor”, um filme que será descoberto futuramente. Quanto ao filme, não posso dizer que era uma sequência que aguardava com expectativa. No entanto, como ela aconteceu, eu vi e gostei muito.

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