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Os 10 Melhores Filmes de 2013

Por mais divertido que seja para nós reservar um período para divulgar os nossos favoritos do ano seguindo os moldes de uma premiação cinematográfica, há uma demanda de tempo que compromete a programação normal do Cine Resenhas. Portanto, chegamos próximo ao fim do primeiro semestre de 2014 ainda dedicando uma postagem sobre os melhores lançamentos do ano passado, algo não muito saudável para um espaço que ainda se esforça em apresentar alguma atualidade.

De qualquer modo, acreditamos na importância de definitivamente encerrar 2013 relembrando os melhores longas-metragens conferidos tanto na tela grande quanto em homevideo. A seguir, a nossa seleção se apresenta em ordem decrescente e com trechos de resenhas já disponíveis em nosso site – é possível ler cada uma delas na íntegra ao clicar no sinal de adição. Esperamos que todos aprovem nosso top 10.

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Martha Marcy May Marlene

10. Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin

Em sua estreia como atriz, Elizabeth Olsen tem aqui a meta que provavelmente seria recusada por muitas intérpretes veteranas. Diante de uma narrativa complexa também escrita por Sean Durkin, Olsen precisa processar para o público toda a paranoia de suas personagens. Não apenas lida perfeitamente com a tarefa digna de uma indicação ao Oscar que infelizmente não deve acontecer como nos faz esquecer que é, na vida real, irmã mais nova das gêmeas Mary-Kate Olsen e Ashley Olsen, talvez as mais insuportáveis que se vê por aí. Seu olhar atinge o público com a capacidade de transmitir a turbulência que a habita, rendendo uma experiência mais perturbadora do que dedicada em dar resolução aos enigmas que inevitavelmente ficarão com a conclusão em aberto. +

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Branca de Neve | Blancanieves

09. Branca de Neve, de Pablo Berger

Embora as interações expostas em letreiros explicativos culminem em uma referência desnecessária à existência de “Branca de Neve e os Sete Anões”, o que consequentemente fará com que alguns acontecimentos cruciais sejam antecipados, “Branca de Neve” é comovente pela paixão presente nas homenagens que presta à Espanha, à fantasia e ao cinema. Uma pena que a aceitação conferida a “O Artista” não tenha assegurado a popularidade de “Branca de Neve” diante do público, que perdeu a chance de assistir a um dos melhores filmes exibidos no circuito comercial no ano passado. +

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Antes da Meia-Noite | Before Midnight

08. Antes da Meia-noite, de Richard Linklater

Se em “Antes do Amanhecer” Linklater, Hawke e Delpy retrataram com maestria a atração entre dois jovens desconhecidos e em “Antes do Pôr-do-Sol” foram críveis ao encenarem o reencontro entre eles quase uma década depois, em “Antes da Meia-noite” as coisas não seriam diferentes. Divididas em longos takes, as discussões exibem Jesse e Celine em plena meia-idade compartilhando intimidades que espelham as indecisões sobre escolhas tomadas ao longo da vida. Afasta-se assim do tom fabular vislumbrado nos romances e permanece o choque de realidade. É exatamente por isso que o desejo de reencontrarmos Jesse e Celine daqui a dez anos é tão forte quando sobem os créditos finais de “Antes da Meia-Noite”. +

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Álbum de Família | August: Osage County

07. Álbum de Família, de John Wells

Mesmo não se mostrando um grande diretor, John Wells é feliz ao preservar a acidez já conhecida de um texto de Tracy Letts e ao dar a cada integrante do elenco ao menos um grande momento para brilhar – o que inclui os atores, que definitivamente incorporam figuras secundárias nesta história essencialmente feminina. São acertos que validam “Álbum de Família” como um filme que cria meios alternativos ao encenar a necessidade de fuga em ocasiões turbulentas. Cada Westons fugirá do cenário lúgubre e restará a cada um deles determinar se chegar a um destino não determinado será suficiente para driblarem suas existências ordinárias. +

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Killer Joe - Matador de Aluguel | Killer Joe

06. Killer Joe – Matador de Aluguel, de William Friedkin

Embora a assinatura de William Friedkin seja reconhecida a cada fotograma, é impossível não lembrar de alguns trabalhos dos irmãos Coen, especialmente “Gosto de Sangue”. Assim como no longa-metragem de estreia dos Coen, “Killer Joe – Matador de Aluguel” tem desdobramentos inesperados a partir do acordo de uma morte por encomenda e apresenta um terceiro ato absurdamente doentio. Se em “Gosto de Sangue” há um verdadeiro jogo de gato e rato entre uma mulher e um detetive contratado para matá-la, em “Killer Joe – Matador de Aluguel” há banho de sangue e uma submissão obscena envolvendo a fantástica Gina Gershon e KFC. +

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Invocação do Mal | The Conjuring

05. Invocação do Mal, de James Wan

Sucesso estrondoso de público e crítica, “Invocação do Mal” tem como segredo o medo de não flertar com o drama como método de efetivar a força dos fatos verídicos que lhe serviram como inspiração. Além da família Perron, as presenças demoníacas também enfraquecem Lorraine, vulnerável após auxiliar um exorcismo fora do habitual. Em meio a tantos momentos aterrorizantes, há um respiro para compreendermos que a principal ferramenta para combater a ameaça é o fervor que uma família tem em manter os seus pilares. Por isso “Invocação do Mal” é tão assustador: após a sessão, a linha entre o bem e o mal parece ainda mais tênue. +

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Segredos de Sangue | Stoker

04. Segredos de Sangue, de Park Chan-wook

A verdade é que nas mãos de um cineasta qualquer, “Segredos de Sangue” resultaria em um longa-metragem comum sobre a transição da adolescência para a maturidade e as tentativas de uma protagonista em descobrir e aceitar a sua própria essência. Com Park Chan-wook por trás das câmeras, “Segredos de Sangue” sustenta uma narrativa mais visual, em que cada imagem é cuidadosamente concebida e que absolutamente nada soa aleatório. O apuro estético é logo testemunhado na sequência de créditos iniciais, em que o nome de Park Chan-wook se desfaz em meio a fumaça de velas de aniversário abafadas em um recipiente de vidro. +

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Gravidade | Gravity

03. Gravidade, de Alfonso Cuarón

Acima de tudo, “Gravidade” é uma metáfora sobre a existência humana. O apuro estético e as interações (imaginárias ou não) são meios para representar os tormentos internos de Ryan. Mesmo que uma tragédia recente tenha destruído o seu prazer pela vida, há a possibilidade de renascimento e também de abandonar sua pequenez diante do universo. Mais significativa que a imagem de Ryan simulando involuntariamente um recém-nascido com um cabo representando um embrião ou o contato humano em uma circunstância em que a solidão a abate como nunca é justamente o contra-plongée que encerra “Gravidade”, visualizando uma Ryan maior do que tudo que a cerca. Mais do que permitir que o cinema avance um passo, “Gravidade” é uma experiência cinematográfica com o poder de transformar nossas percepções. +

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As Sessões | The Sessions

02. As Sessões, de Ben Lewin

As Sessões lida com ao menos dois temas tabu de forma singular. As limitações físicas de Mark, o primeiro tema tabu, não servem como meros artifícios para um filme de superação lacrimoso. Por mais desconfortável seja vê-lo imóvel, o que prevalece é justamente o seu espírito livre, eliminando a presença de uma atmosfera claustrofóbica em detrimento de uma narrativa que flui com humor e leveza. Já o segundo tema tabu, o sexo, é encenado com toda a beleza que se forma entre dois indivíduos em plena sintonia – neste sentido, é impossível não dar créditos ao corajoso trabalho de Helen Hunt, que não impede a naturalidade com que a sua nudez é explorada. +

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A Hora Mais Escura | Zero Dark Thirty

01. A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow

A perspectiva do conflito é integralmente americana, mas Kathryn Bigelow não está disposta a incentivar falsas morais ou patriotismo em sua realização. As bandeiras americanas surgem aqui tímidas e o close que fecha o filme no rosto abatido de Maya, que pela primeira vez deixa as lágrimas correrem pelo seu rosto, representam tanto o alívio de uma missão cumprida após 12 anos quanto o medo de uma guerra que nunca chega ao fim. +

 

6 Comments

  1. Só assisti a 4 filmes de sua lista, mas gostei muito de sua seleção, pois ela reflete o seu gosto peculiar.

  2. Frederico Feroli Frederico Feroli

    Ptz se os dez melhores filmes de 2013 fazem você dormi nos primeiros cinco minutos , imagine os que foram ruins … ( tirando a invocação do mal que mesmo sendo só clichês até que foi legalzinho e o final não estragou o filme como fizeram em Mama) …

  3. Garanhão italiano Garanhão italiano

    Parabéns pelo post e pelo texto da sinopse/crítica para cada filme.
    Assisti somente Gravidade, de Alfonso Cuarón. Foi a melhor sinopse/crítica do filme.

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