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Uma Relação Delicada (2013)

Uma Relação Delicada | Abus de faiblesse

Abus de faiblesse, de Catherine Breillat

Ainda jovem, Catherine Breillat iniciou uma carreira próspera como escritora já na publicação de seu primeiro romance, “L’Homme Facile”, inapropriado para menores de 18 anos – ela o escreveu com 17 anos. Suas histórias de forte apelo sexual foram propagadas para um público mais amplo quando ganharam as telas de cinema. Em seu mais novo trabalho como diretora e roteirista, Breillat se desvincula um pouco do que produziu até aqui ao compartilhar um acontecimento que a abateu e que nem todos sabiam.

Em 2004, Catherine Breillat sofreu um AVC. Mesmo submetida a um longo processo de recuperação e com a parte esquerda do corpo paralisada, a cineasta não se aposentou, rodando longas como “A Última Amante”. No entanto, este acontecimento em sua vida não é o único a ser apresentado em “Uma Relação Delicada”, cuja produção ela mesma tratou de encarar.

Na ficção, Catherine Breillat se transformou em Maud Schoenberg (Isabelle Huppert), uma artista que reúne forças para voltar a trabalhar após o AVC que sofreu enquanto dormia. Sua intenção é contratar Vilko Piran (Kool Shen) para ser o protagonista de seu próximo projeto. O único senão é que Vilko, um sujeito que acabou de sair da prisão, não é a pessoa mais indicada para ter uma relação tão próxima com Maud, extremamente vulnerável com as suas limitações físicas e estado de solidão. O que era para ser um convívio movido para a realização de um filme se transforma em um círculo vicioso de dependências.

Com 61 anos de idade e 43 de carreira, Isabelle Huppert continua se envolvendo em papéis desafiadores. Embora nem sempre precisa ao retratar alguém com paralisia parcial, a veterana é a principal responsável em impor alguma densidade ao projeto. É particularmente especial o momento em que sua Maud demonstra plena confiança na história que pretende filmar, gesticulando como se não tivesse sofrido um AVC.

Os problemas irreversíveis de “Uma Relação Delicada” acontecem justamente pela presença de Catherine Breillat como narradora de sua própria história. Se por um lado há a propriedade com que conta eventos em que foi testemunha e vítima, por outro há a parcialidade com que os fatos são exibidos. Além do mais, Catherine Breillat não é uma cineasta que tem a sutileza como uma qualidade. Todos os acontecimentos repetitivos (especialmente aqueles das assinaturas nos cheques emitidos de Maud para Vilko) são potencializados com o uso exagerado da trilha-sonora de instrumentos agudos e com a atmosfera que dramatiza em excesso as dificuldades da protagonista em se locomover.

One Comment

  1. Gostei do texto, Alex, em particular do relato da história pessoal da cineasta. não a conhecia e nem ao filme. Fiquei curiosa.

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