Resenha Crítica | Você é o Próximo (2011)

Você é o Próximo | You're Next

You’re Next, de Adam Wingard

Gênero movido por tendências, o terror encontra agora um truque para continuar progredindo. Há dez anos, a fonte de sucesso era a refilmagem de fitas asiáticas e há cinco anos, o found footage. Desta vez, a matéria-prima para os cineastas tem sido os elementos facilmente identificáveis em clássicos do gênero dos anos 1970 e 1980. Após os sucessos de títulos como “The House of the Devil“, “Sobrenatural” e “Invocação do Mal“, Adam Wingard vem com “Você é o Próximo” para apresentar um home invasion com o resgate de tudo aquilo que auxiliou sua formação como cineasta.

O filme tem Erin (Sharni Vinson) como protagonista. Garota humilde, ela não esconde o desconforto ao conhecer os pais ricos de seu namorado Crispian (AJ Bowen) em um fim de semana na residência luxosa em que eles vivem em uma cidadezinha bem afastada. O jantar com toda a família promete ser uma bela lavação de roupa suja, ainda mais porque a matriarca temperamental (Barbara Crampton, uma figurinha fácil nos filmes de Stuart Gordon) não gostou nem um pouco de sua nova nora e Drake (Joe Swanberg), o filho bem-sucedido, é um mauricinho pretensioso que sempre perde a oportunidade de ficar calado.

As farpas são rapidamente substituídas por flechas atiradas por um grupo que usa máscaras amedrontadoras de animais. Cercada, a família desconhece a razão para ser vítima do ataque (o diretor Ti West, por sinal, é o primeiro presente a empacotar) e Erin surpreende a todos por ser a única a se comportar de modo racional nesta situação desesperadora. Sem meios de pedir socorro (o sinal para chamadas telefônicas foi cortado e os vizinhos mais próximos foram devidamente eliminados), resta a Erin liderar um contra-ataque aos invasores.

Em “Você é o Próximo”, Adam Wingard confere cenografia, música e ritmo saborosamente antiquados e que fazem alusão às fitas com maníacos mascarados. Ao longo do processo, os erros também são emulados. A revelação do mistério pode ser antecipada em dez minutos de filme e há erros primários (para quê assassinar um casal e deixar uma música em looping?). Equívocos facilmente perdoáveis em um filme que tem uma tensão implacável e um humor negro que bate cartão nas ocasiões mais oportunas.

O maior barato de “Você é o Próximo”, no entanto, é testemunhar o modo como a mocinha foi remodelada ao longo dos tempos. Se antes as mulheres tinham como únicas funções os gritos e as fugas, hoje elas se mostram muito mais firmes diante de uma ameaça. Além de ser uma descoberta para lá de graciosa, a australiana Sharni Vinson consegue fazer com que o público desenvolva uma relação de cumplicidade tremenda com a sua Erin. Sua determinação em sobreviver assombra mais do que o plano diabólico dos mascarados que insistem em matá-la, o que fortalece ainda mais a eficácia de “Você é o Próximo”.

 

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  1. ótimo filme mesmo!
    mas há uns errinhos bem básicos, como os citados.
    e também a trilha sonora de uma cena é interrompida totalmente quando se muda de cena, faltou certo capricho na edição algumas vezes, mas passa.