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Resenha Crítica | Oldboy – Dias de Vingança (2013)

Oldboy - Dias de Vingança | Oldboy

Oldboy, de Spike Lee

Convidado de honra na 37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Park Chan-wook confirmou não apenas que sua benção não foi solicitada para o remake de “Oldboy”, como não teve qualquer envolvimento como consultor durante sua produção. O coreano encarou o descaso com naturalidade e, camarada, desejou boa sorte para Spike Lee. No entanto, não perdeu a oportunidade de destilar um pouco de seu veneno: afirmou que Hollywood resolveria o plano sequência antológico do protagonista eliminando inúmeros capangas com um martelo na base do tiro. “Uma arma resolve tudo em um filme de ação americano”, sacaneou o bem humorado Diretor Park.

Spike Lee não é um cineasta que costuma atenuar a violência em suas histórias, seja ela verbal ou física. Refaz tal momento ao seu modo, estando o protagonista Joe Doucett (vivido por Josh Brolin) com o imponente martelo em mãos. Também elimina algumas bobagens do “Oldboy” de dez anos atrás, como a hipnose como mecanismo pouco plausível para a preparação de uma pegadinha reservada para o clímax.

Ambientar “Oldboy – Dias de Vingança” nos dias atuais permite que Spike Lee faça uma retrospectiva de tudo o que abateu a América nos últimos 20 anos. Jogado em um cativeiro sem motivo aparente, Joe é um canalha que vê pela tevê episódios como o do 11 de Setembro enquanto estuda métodos de se vingar de seu algoz quando as tentativas de tirar a própria vida ou implorar pela sua liberdade se esgotaram. Basta a década vigente vir para Joe ser abandonado dentro de um baú no meio de um matagal. A primeira imagem que visualiza em um ambiente externo é de uma jovem enigmática (Pom Klementieff) com um guarda-chuva. Persegui-la o faz se chocar com Marie Sebastian (Elizabeth Olsen), enfermeira que se tornará sua companheira para compreender as razões que o levaram em cativeiro.

Há outros personagens secundários,e todos são interpretados por atores em estado de graça e que dão ao filme de Spike Lee um toque que o diferencia – e muito – do original. O melhor é Chaney, o sujeito que controla o “presídio” em que Joe foi mantido. Sempre perfeito em papéis insanos, Samuel L. Jackson consegue relembrar a extraordinária parceria com Spike Lee em “Febre da Selva”, em que fez um junkie. Como o único contanto de Joe com o mundo externo que resistiu ao tempo, Michael Imperioli também está ótimo como Chucky, o dono de um bar, bem como Sharlto Copley, o vilão da história.

O tom exagerado como esses personagens são construídos podem até ressaltar as origens em mangá de “Oldboy” e Spike Lee tem personalidade para contornar a impressão de estar lidando com um projeto encomendado (há depoimentos de insatisfação do cineasta com a versão lançada nos cinemas, que aparentemente saiu de seu controle durante a pós-produção). O problema de “Oldboy – Dias de Vingança” está na armadilha que poucas refilmagens são capazes de escapar. Há um momento em que não é mais possível seguir com a história de modo independente e logo ela envereda por territórios já explorados na obra de Park Chan-wook. Neste ponto, não há qualidade que prevaleça diante do “para quê?” emitido por qualquer espectador.

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