Skip to content

Gloria (2013)

Gloria

Gloria, de Sebastián Lelio

Gloria, faltas en el aire
faltas en el cielo
quémame en tu fuego
fúndeme en la nieve
que congela mi pecho
te espero, Gloria

Em razão das motivações que levam um autor a eternizar seu protagonista ou mesmo por falta de inspiração em nomear um projeto, o nome próprio é usado com frequência para ser usado como título de um filme. Pois no filme de Sebastián Lelio, Gloria não é apenas um nome aleatório conferido à protagonista vivida por Paulina García, mas representa tudo aquilo ressaltado na clássica canção de Umberto Tozzi.

Com roteiro em tom de crônica, Sebastián Lelio, em parceria com Gonzalo Maza, acompanha o cotidiano de Gloria, cinquentona com espírito independente que já não consegue camuflar a solidão que a abate. Divorciada, Gloria sempre frequenta bailes da terceira idade em busca de um homem interessante para se relacionar seriamente. Mesmo com amizades que resistiram ao tempo e um emprego para preencher o seu tempo, a ausência de um companheiro é sentida. Além do mais, sua filha Ana, de quem é muito próxima, está grávida e disposta a viver com o seu namorado (Eyal Meyer) na Suécia.

Em Rodolfo (Sergio Hernández), Gloria vislumbra o desejo de trazer mais emoções para a sua vida acompanhada de alguém com que possa se entregar de corpo e alma. Rodolfo, também divorciado, se diz apaixonado por Gloria, mas não consegue se envolver com a mesma intensidade, pois é incapaz de dizer não para as solicitações de suas filhas, que dependem dele para absolutamente tudo. Naturalmente, Gloria não se conforma em ser preterida nesta situação, o que amplia ainda mais sua turbulência emocional em meio ao abandono.

Trata-se de uma personagem extraordinária e Sebastián Lelio a aproxima de nós ao ponto de sentirmos na pele seu entusiasmo e melancolia. Claro que Gloria não causaria este efeito sem uma atriz como Paulina García para incorporá-la. No também recente “Las analfabetas“, Paulina lidara com a difícil missão de viver uma mulher de meia-idade mergulhando tardiamente no processo de alfabetização através de uma jovem professora. Como Gloria, Paulina está ainda mais fascinante, permitindo que a sua elegância e beleza sejam usadas como recursos dramáticos.

Em seu quinto longa-metragem, mas o primeiro a ganhar projeção mundial, Sebastián Lelio nem sempre é incisivo em seu registro, como denota a falta de potência dos instantes em que Gloria se afeiçoa com o gato do vizinho que invade com frequência o seu apartamento. Compensa as fragilidades ao compreender perfeitamente em sua protagonista a delicadeza de uma fase da existência que ainda não atravessou – o cineasta tem 40 anos. Em momentos em que não há mais nada ou ninguém que preencha o seu vazio, resta à Gloria uma solução antes temorosa e agora necessária: a de celebrar a si mesma.

3 Comments

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: