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Resenha Crítica | Uma Longa Viagem (2013)

Uma Longa Viagem | The Railway Man

The Railway Man, de Jonathan Teplitzky

Na primeira sequência de “Uma Longa Viagem”, o protagonista Eric (Colin Firth) se vê em uma interação bem intensa com Patti (Nicole Kidman). Embora ambos sejam totalmente estranhos um para o outro, a química é tão pulsante que é difícil não chegarmos à conclusão de que foram feitos um para o outro. O amor à primeira vista se concretiza diante de nossos olhos e nada mais natural do que um casamento entre Eric e Patti na próxima etapa da história. No entanto, as coisas não são tão perfeitas quanto parecem e logo Patti (e a audiência) se depara com um Eric muito diferente daquele homem que se apaixonou rapidamente.

Temendo pela sanidade de Eric, Patti recorre a Finlay (Stellan Skarsgård), o único que compreende os seus tormentos mais profundos. Imediatamente, a narrativa é tomada por flashbacks que encenam a juventude de Eric e Finlay e identificamos o que o traumatiza: a vivência como um soldado convertido em um prisioneiro forçado a trabalhar na construção da ferrovia da Birmânia, também conhecida como a Ferrovia da Morte, durante a Segunda Guerra Mundial, com a finalidade era dar suporte às tropas japonesas.

Em seu quarto longa-metragem, o australiano Jonathan Teplitzky se apropria de uma história real para obter uma perspectiva distinta sobre os horrores da guerra e como suas manchas são capazes de perseguir um indivíduo mesmo em tempos de paz. Também um personagem verídico, Eric Lomax não testemunhou somente a morte de seus companheiros durante a construção da ferrovia da Birmânia, como sentiu na pele as consequências de ocultar um rádio que trazia notícias sobre o enfraquecimento da guerra, justamente o único sinal de esperança para a sobrevivência dos combatentes australianos capturados.

A força de “Uma Longa Viagem” se manifesta ao apresentar aquilo que permitirá a Eric finalmente superar os horrores do qual foi vítima: Takeshi (Hiroyuki Sanada), um intérprete que se comportou como um elemento essencial para as sessões de tortura em que Eric foi submetido inúmeras vezes. Ao descobrir que Takeshi vive como um mediador para turistas que visitam os campos de trabalho forçado na ferrovia da Birmânia, Eric vai ao seu encontro com motivações cruéis.

Há duas escolhas em “Uma Longa Viagem” que não correspondem às expectativas. A primeira é a existência do personagem de Stellan Skarsgård, presente na história para cumprir uma função que anula sua tridimensionalidade. A outra está na falta de resistência de Jonathan Teplitzky em encenar as torturas muito mais potentes quando apenas sugeridas pelo pesar presente nos olhares de Colin Firth e Jeremy Irvine, que faz Eric na fase jovem. De inquestionável, está a potência de sua resolução diante do que o cinema vem produzindo. Dentro de tantas histórias reais e ficcionais em que a vingança se converte em um mecanismo de punição, é um alívio que “Uma Longa Viagem” promova uma capacidade cada vez mais rara em episódios de impunidade: o perdão.

4 Comments

    • Kamila, o filme chegará ao Brasil no dia 26 de outubro. Não deixe de ver.

    • Xará, que bom ter mais uma crítica sobre o filme. Certamente lerei, obrigado por compartilhar o link.

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