Skip to content

Resenha Crítica | Magia ao Luar (2014)

 

Magic in the Moonlight, de Woody Allen

Woody Allen é fascinado pelo ofício de um mágico. Em filmes como “O Escorpião de Jade”, “Scoop – O Grande Furo” ou mesmo o segmento “Édipo Arrastado” de “Contos de Nova York”, o diretor e roteirista recorreu a esses artistas da arte de encantar e enganar a plateia para desenvolver suas narrativas. Em “Magia ao Luar”, Woody Allen faz o mesmo ao registrar para o prólogo os feitos impressionantes do chinês Wei Ling Soo, um mágico capaz de dividir uma garota em dois e de fazer desaparecer um elefante.

Na sequência posterior, não temos a revelação de como fazer cada um desses truques, mas a desconstrução de Wei Ling Soo, com figurino e maquiagem removidos para dar lugar a Stanley (Colin Firth), um inglês longe de ter o mesmo carisma de seu personagem. Considerado um mágico infalível e insuperável, Stanley recebe um convite de seu amigo de longa data Howard (Simon McBurney) para desmascarar Sophie (Emma Stone), uma jovem médium que diz se comunicar com o marido falecido de Grace (Jacki Weaver) e que está prestes a se casar com o filho dela, o ingênuo Brice (Hamish Linklater).

Noivo de Olivia (Catherine McCormack, boa atriz em uma participação lamentavelmente minúscula), Stanley aceita a missão criando uma falsa identidade. No instante em que são apresentados, ele imediatamente conclui que Sophie é uma farsa. Eis que a moça mostra a que veio em uma sessão mediúnica e Stanley se vê incapaz de comprovar a existência de alguma artimanha que a denomine como uma fraude. Isso faz com que Stanley repense alguns valores que sustentou ao longo de sua trajetória ao mesmo tempo em que Sophie reconhece essa influência importante que exerceu sobre ele.

Antes usada como pretexto para apresentar piadas e situações espirituosas nas obras de Woody Allen já mencionadas, a magia tem uma presença mais essencial em seu novo filme. Como um homem que afirma que não há nada que não possa ser comprovado pela Ciência, Stanley tem o seu ceticismo abalado diante de sua proximidade com Sophie. Assim, passa a compreender a devoção que muitos têm por um lado espiritual. Como provou recentemente em “Caça aos Gangsteres”, Emma Stone é muito contemporânea para filmes de época, algo testemunhado em sua oralidade e postura, mas sua candura não a coloca em desvantagem como um contraponto a Colin Firth.

Como é constante nas histórias de Woody Allen, o acaso é um recurso fácil que continua sendo usando para que tudo possa continuar avançado e em “Magia ao Luar” este erro é representado com um acidente que atinge uma pessoa muito próxima ao protagonista. Por outro lado, Woody Allen se esquiva da tentação em dar uma resolução tão amarga quanto aquela vista ano passado em seu “Blue Jasmine“. Melhor assim, pois apesar da relutância de Stanley em abrir mão de suas convicções, é possível enxergar na banalidade da existência humana o seu encanto.

4 Comments

  1. Interessante você dizer que Emma Stone não se encaixa em filmes de época. Verei neste novo Woody Allen, mas em “Caça aos Gângsteres” ninguém está bem. Aquilo é um lixo. E discordo do Sr. sobre “Blue Jasmine”, porque, no meu ponto de vista, ela é a vilã da história. No filme, a diferença é ter a vilã como protagonista e Woody Allen encerrou a trama dando um castigo a ela.

    Abs!

    • Otávio, lembro-me de termos discutido muito sobre “Blue Jasmine” e ratifico: a conclusão não me soa como uma penitência para a protagonista, mas sim uma visão pretensiosa de um autor totalmente contaminado pela elite que está inserido. Quanto a “Caça aos Gangsteres”, até gosto do filme, há uns toques de “Os Intocáveis” na formação daquela equipe liderada por Josh Brolim. No entanto, não há dúvidas de que é muito irregular. Abraços.

  2. Bom, parece seguir o caminho de “Meia-Noite em Paris”. Estou curiosa para assistir a essa primeira parceria entre Woody Allen e Emma Stone.

    • Kamila, pois é. Embora eu não tenha feito menção ao filme “Meia-noite em Paris” ao longo da resenha, é difícil não recordar dele ao longo de “Magia ao Luar”. E eu estou é curioso com a segunda parceria entre Woody e Emma Stone, que contará ainda com a minha querida Parker Posey.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: