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Resenha Crítica | O Homem das Multidões (2013)

O Homem das Multidões

O Homem das Multidões, de Cao Guimarães e Marcelo Gomes

A vida nas grandes metrópoles se tornou sufocante. As multidões que nos cercam, os sons que nos perturbam, os meios de comunicação que nos mantêm conectados a tudo e a todos a qualquer instante. Tudo colabora para que os momentos de isolação sejam inexistentes. Mas há aqueles que conseguem viver à sombra desses eventos presentes no cotidiano de cada um de nós. É o que bem ilustra o protagonista de “O Homem das Multidões”, uma co-direção entre Cao Guimarães e Marcelo Gomes.

Livremente inspirado em um conto de Edgar Allan Poe, “O Homem das Multidões” registra a vida insípida de Juvenal (Paulo André), um sujeito que trabalha como condutor de trem. Após o expediente, se conforma em matar o tempo em seu apartamento modesto  se distraindo somente com os exercícios matinais na sacada e com a sua própria companhia. Sem vínculos com qualquer outra pessoa, Juvenal passa totalmente despercebido. Exceto quando Margô (Sílvia Lourenço, dona de uma beleza sem artifícios que hipnotiza), sua colega de trabalho, se aproxima.

Personagem com o mesma relevância que Juvenal, Margô representa um outro lado do que é a solidão em um mundo globalizado. Como deixa claro em uma de suas primeiras aparições na história, trata-se de uma mulher que substituiu as interações humanas pelas virtuais, estando noiva inclusive de um rapaz que conheceu em salas de bate-papo. Quando essas duas figuras solitárias se chocam, uma série de intenções são entendidas, mas nunca comunicadas verbalmente.

A dupla de cineastas recorre a métodos que conferem uma aura pouco usual a “O Homem das Multidões”. Causa estranheza a janela usada para filmar os personagens, como se fossem fotografias antiquadas que quase não se movimentam. Outra escolha que diz muito é a ausência de personagens secundários – somente Jean-Claude Bernardet como o pai de Margô é visto com algum peso. São os principais feitos de um filme que deixa de alçar voos mais altos ao se deixar contaminar na maior parte do tempo pela inexpressividade que abate a existência de seus personagens.

4 Comments

  1. fer fer

    Oi, você tem link pra baixar ele? :/

    • Caro Fer, o filme ainda não está disponível para download. Fique de olho no Canal Brasil, há muitos nacionais recentes sendo exibidos por lá.

  2. Tive sérios problema com esse filme. Não sei se estava com expectativas demais porém não gostei do que vi, inclui aí a tal janelinha do filme que me incomodou bastante. Uma história que já tinha meio caminho andado para ser boa mas que na pretensão de querer ser diferente, a direção fez um filme devagar…quase parando … assim como o próprio personagem em pessoa.

    • Marcelo, eu gosto da sensibilidade estética testemunhada aqui. É um dos meus nacionais favoritos de 2014, mas tenho um pouco de problemas com o fato de o filme ser contaminado em demasia com os perfis um tanto unilaterais dos protagonistas.

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