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Resenha Crítica | De Menor (2013)

De Menor

De Menor, de Caru Alves de Souza

A cineasta Caru Alves de Souza não poderia ser mais precisa ao debutar como diretora de longa-metragem. Antes de ser comercialmente lançado no país, “De Menor” construiu uma carreira de sucesso em festivais de cinema de vários pontos do mundo. Sua força está ao lidar com um tema ainda em debate: a diminuição da maioridade penal. No entanto, ao invés de apresentar o seu ponto de vista sobre a polêmica, Caru Alves de Souza, com a colaboração de Fabio Meira no roteiro, prefere encenar casos reconhecíveis de crimes cometidos por adolescentes que tornam mais complexa a decisão de assumir um posicionamento contrário ou não.

Excelente, Rita Batata recebe uma grande oportunidade como protagonista ao viver Helena, uma jovem recentemente formada em Direito e que assume a profissão de defensora pública. Sua vida não está nem um pouco fácil. Além da impossibilidade de se desvincular emocionalmente de cada adolescente que protege diante do juiz Carlos (Caco Ciocler) e o promotor Paulo (Rui Ricardo Diaz), Helena ainda precisa superar uma perda recente (a morte de seus pais) para cuidar sozinha do seu irmão Caio (Giovanni Gallo), um rapaz que vem demonstrando que anda fazendo algo de errado.

A narrativa ganha densidade ao intensificar o relacionamento familiar entre Helena e Caio conforme ela luta para obter um veredito que acredita ser justo para os menores detidos após um delito. Seja o da garota grávida ou a do menino espancado por um grupo revoltado após furtar uma bicicleta, o que se vê são figuras abandonadas pelos pais e sem perspectivas de um futuro melhor que encontram na marginalidade ou em escolhas que seriam evitadas com alguma prevenção algumas saídas nada recomendáveis.

A economia é também um elemento positivo em “De Menor”. Com duração enxuta, a produção acerta ao não prolongar os episódios mais adversos em que Helena se encontra e ainda permite que mergulhemos em suas dúvidas quando o próprio Caio se envolve em um crime que o faz se livrar do papel de irmão para assumir a posição de acusado. Restou somente uma crítica mais incisiva ao nosso sistema carcerário decadente, algo que só vem à tona com o tratamento igualitário para as ações com gravidades que destoam.

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