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Resenha Crítica | Medos Privados em Lugares Públicos (2006)

Medos Privados em Lugares Públicos | Coeurs

Coeurs, de Alain Resnais

Antes de fechar suas portas em março de 2011, o Cine Belas Artes havia se despedido com um feito impressionante: ter mantido “Medos Privados em Lugares Públicos” em cartaz desde o seu lançamento no circuito comercial em 6 de julho de 2007. Nada mais natural que esta obra, uma dos melhores de Alain Resnais, seja um dos principais atrativos da reabertura do cinema, voltando a exibi-lo com sessões relativamente cheias. Portanto, ver “Medos Privados em Lugares Públicos” na tela grande é uma missão a ser cumprida por qualquer cinéfilo.

De certo modo, “Medos Privados em Lugares Públicos” é um filme que representa adequadamente uma grande metrópole como São Paulo. Adaptação da peça teatral de Alan Ayckbourn, o romance, com toques mais cômicos que dramáticos, acompanha seis personagens que, cada um a sua maneira, buscam suprir suas carências em uma Paris menos charmosa do que o cinema está acostumado a retratar.

Há Dan (Lambert Wilson), um ex-soldado frustrado há seis meses estagnado na vida e com um casamento aos frangalhos com Nicole (Laura Morante). Para amenizar as mágoas, acredita que a melhor saída é se embriagar e desabafar com um barman, Lionel (Pierre Arditi). Como desvendamos a seguir, Lionel também tem os seus dramas privados no que se refere a Arthur (voz de Claude Rich), o seu pai enfermo que habita o seu apartamento. Com intenção de lidar com o trabalho sem muitas pressões, ele decide contratar Charlotte (Sabine Azéma) para cuidar de seu pai.

Essa ciranda de anônimos se fecha com mais dois personagens: Thierry (André Dussollier), veterano de uma imobiliária que tem Charlotte como assistente e que passa a ter um fascínio por uma fita de vídeo dela com o registro de uma dança erótica, e sua irmã Gaëlle (Isabelle Carré), que marca um encontro com Dan (Lambert Wilson) após se conhecerem em uma sala de bate-papo. De garantia, há os efeitos que, mais cedo ou mais tarde, aparecerão com essas conexões que se desenham.

Em comum, esses personagens possuem o receio de terem a intimidade exposta através de flagras na redoma do lar ou em ambientes em que circulam outras pessoas, uma abordagem sustentada com um envolvimento raro em outras obras recentes de Alain Resnais com uma linguagem mais teatral – e a escolha da distribuidora nacional em manter o título da peça ao invés do título original do filme, “Corações”, valoriza ainda mais o material. Também funcionam a transição de cenas: assim como a neve incessante que cobre Paris, as figuras de “Medos Privados em Lugares Públicos” parecem acometidas por um inverno na alma que teima em se dissipar.

2 Comments

  1. Conheço pouco da filmografia de Alain Resnais, mas esse “Medos Privados em Lugares Públicos” me parece ser um dos filmes mais conhecidos dele.

  2. Kamila, e é. Caso tenha interesse em explorar em algum momento a filmografia de Resnais, comece por este aqui.

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