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Resenha Crítica | Cala a Boca, Philip (2014)

Listen Up Philip

Listen Up Philip, de Alex Ross Perry

.:: INDIE 2014 Festival Cinema ::.

Cientes do dom para emitir ideias criativas e opiniões que requerem muito repertório para serem rebatidas, os intelectuais buscam na reclusão a oportunidade para externarem os seus pensamentos mais pulsantes no papel. Naturalmente, vem o interesse para produzir algo capaz de ser publicado e espalhar para o mundo uma história originalmente concebida durante um recolhimento. Por fim, vem o ego e, como mostra o protagonista Philip (Jason Schwartzman) em “Cala a Boca, Philip”, ele pode ser muito indigesto.

Philip obteve muito sucesso com o seu primeiro romance e já colhe louros pela segunda obra recém-publicada. A convicção de que é um escritor brilhante é tão gritante que ele não hesita em destruir em aproximadamente uma hora os relacionamentos de longa data com uma garota com quem namorou e com um de seus melhores amigos. Se não bastasse, Philip ainda recusa participar do processo de divulgação de seu novo livro, sendo descortês com o fotógrafo que sugere algumas poses para retratos e agressivo com um jornalista renomado.

Não à toa, Philip se dá muito melhor com o seu mentor Ike Zimmerman (Jonathan Pryce) do que com a sua namorada Ashley (Elisabeth Moss). Afinal, Ike é um escritor que há anos não produz nada e que parece a versão idosa de Philip, enquanto Ashley é uma fotógrafa cuja ascensão não lhe interessa. Diante desse comportamento, é fácil decifrar Philip, um jovem que se considera melhor do que aqueles que o rondam, mas que não consegue se satisfazer sem uma companhia para que possa destilar o seu sucesso.

Alex Ross Perry é um jovem cineasta que realiza filmes que não sobrevivem fora dos festivais de cinema independente. Mesmo recheado de nomes respeitáveis no elenco, o mesmo acontece com “Cala a Boca, Philip”. Não significa que seu novo feito não tenha potência. A escolha de construir um protagonista quase desprezível poderá provocar desistências durante a sessão, ainda que busque atenuar a barra dando merecido destaque à Ashley, a pobre namorada em um processo complicado de desapego daquele com que se relaciona há três anos. Para o público que não tem resistência alguma com personagens como Philip, “Cala a Boca, Philip” é uma boa opção.

2 Comments

  1. Interessante, Alex! Gostei muito do seu texto! Uma pena que obras como essa não possuem uma boa distribuição nas salas de cinema.

  2. Kamila, obrigado. A distribuição do filme também não foi bem planejada nos Estados Unidos, no qual já está disponível em VOD.

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