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Resenha Crítica | Ela Perdeu o Controle (2014)

Ela Perdeu o Controle | She's Lost Control

She’s Lost Control, de Anja Marquardt

.:: INDIE 2014 Festival Cinema ::.

Pela proximidade entre os lançamentos, é quase difícil não traçar paralelos entre “Ela Perdeu o Controle” e “As Sessões“. Ou melhor, contrapontos. As duas obras carregam diversas distinções, é verdade. Enquanto o filme de Anja Marquardt é moldado através de um argumento original, o drama protagonizado por John Hawkes e Helen Hunt retratam duas figuras reais, Mark O’Brien e Cheryl Cohen-Greene. O elo está ao abordar as particularidades do trabalho de uma terapeuta sexual.

Em “Ela Perdeu o Controle”, a perspectiva sobre o trabalho dessa profissional não é positiva. Isso já é notado nos primeiros momentos em que acompanhamos Ronah (Brooke Bloom) ao interagir com Alan Cassidy (Dennis Boutsikaris), justamente o doutor que repassa para ela pacientes com muitas dificuldades em estabelecer qualquer contato físico com uma parceira. As interações de Ronah com três homens com perfis bem diferentes se dão de modo obscuro. Demora para ficar claro os métodos usados por Ronah e chegamos a questionar o que de fato está acontecendo nos ambientes em que eles se encontram.

O mais jovem entre os homens com quem tem consultas agendadas, Christopher (Tobias Segal) não tem qualquer pudor em partir direto para o sexo ao ver Ronah. O oposto acontece com o personagem vivido por Robert Longstreet, que sequer está preparado para se despir em frente de uma mulher. Porém, é Johnny (Marc Menchaca) aquele que realmente tumultuará os seus sentimentos. Médico aparentemente sem muito tempo para viver, Johnny costuma responder de modo agressivo cada vez que Ronah busca avançar com desejo sobre ele.

Viabilizado através dos 50 mil dólares levantados no site Kickstarter, “Ela Perdeu o Controle” é inegavelmente envolvente e existe a expectativa em testemunhar reações explosivas diante da aproximação cada vez mais estreita da protagonista com os personagens. No entanto, as resoluções que começam a se desenhar quando Ronah não consegue administrar as situações como o planejado não satisfazem e a adição de trivialidades só atenuam o impacto, a exemplo dos transtornos ocasionados pelo encanamento do banheiro, o uso de uma máquina de lavar que compromete a instalação hidráulica de seus vizinhos e os procedimentos de congelamento de seu ovário para adiar uma possível gestação.

Com participações inexpressivas em filmes como “Tão Forte e Tão Perto” e “Tudo por Ela”, Brooke Bloom é a única que se apresenta como um elemento que garante alguma credibilidade ao filme. A atriz incorpora Ronah com grande convicção e assegura a nossa empatia mesmo ao baixar a guarda ao se ver atraída por Johnny. Lamentavelmente, a força de sua presença não é suficiente para validar uma história que tem como proposta estabelecer os limites de uma profissão em que a intensidade do contato físico pode propiciar efeitos desagradáveis.

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