Skip to content

Resenha Crítica | Shirley – Visões da Realidade (2013)

Shirley - Visões da Realidade | Shirley - Visions of Reality

Shirley – Visions of Reality, de Gustav Deutsch

.:: INDIE 2014 Festival Cinema ::.

O cinema jamais interrompeu a sua fascinação por grandes pintores da história. Muitos deles encontraram nos sentimentos mais delicados e conflituosos a matéria-prima para as suas obras. Este perfil, reprisado das maneiras mais diversas em artistas renomados, sempre foi alvo de interesse para a sétima arte, seja em títulos documentais, como os primeiros filmes do cineasta francês Alain Resnais, quanto em obras ficcionais, a exemplo de “Pollock” e “Basquiat – Traços de Uma Vida”.

Cineasta austríaco por traz de “Shirley – Visões da Realidade”, Gustav Deutsch decidiu fazer as coisas de modo inédito ao celebrar na tela grande as pinturas do americano Edward Hopper. Após selecionar 13 obras do pintor, Gustav Deutsch as recriou através de ambientes parcialmente reais e um elenco formado por poucos componentes.

Com uma voz suave e uma linguagem corporal que muito a assemelham a Jessica Chastain, Stephanie Cumming incorpora com excelência a personagem-título, o expoente feminino presente em todos os tempos da narrativa. O primeiro deles é uma releitura de “Night Windows”, arte concebida por Edward Hopper em 1938. Assim como na obra original, o filme se encarrega de imprimir em nós as leituras pretendidas: o prazer em contemplar as características do Realismo, a beleza do ambiente e a solidão da personagem confinada a ele.

Outros quadros notórios de Edward Hopper são apropriados por Gustav Deutsch, como “Room in New York” (1932), “New York Movie” (1939), “Office at Night” (1940) e “Intermission” (1963). No entanto, uma transmissão de rádio é ouvida antes que se revelem, trazendo notícias sobre períodos bem específicos que marcaram o século passado, como a Grande Depressão Americana, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã.

Os devaneios da protagonista, representados através de uma narração em off ou com as duas canções esplêndidas de David Sylvian (“I Should Not Dare” e “Small Metal Gods”), nem sempre formam uma junção adequada com as observações sobre episódios verídicos que ainda repercutem na sociedade contemporânea, talvez pelo destaque que há entre o  relacionamento de Shirley com um fotojornalista chamado Stephen (Christoph Bach). De qualquer modo, é o efeito hipnótico causado pelo rigor estético da direção de Gustav Deutsch, da fotografia de Jerzy Palacz e a direção de arte de Hanna Schimek que transformam “Shirley – Visões da Realidade” em uma experiência que dificilmente será repetida em uma obra audiovisual. Falecido em 1967, Edward Hopper acaba de receber uma homenagem que fortalece ainda mais o seu legado.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: