Resenha Crítica | O Vale Sombrio (2014)

O Vale Sombrio | Das finstere Tal

Das finstere Tal, de Andreas Prochaska

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Após o dinamarquês Jonas Alexander Arnby em “Quando os Animais Sonham“, mais um nome apadrinhado por um dos grandes cineastas do cinema mostra a que veio na condução de um longa-metragem. Montador de “Violência Gratuita” e “Código Desconhecido” e editor assistente de “O Video de Benny”, Andreas Prochaska prova em “O Vale Sombrio” ter extraído muito de seu contato com Michael Haneke. No entanto, ao contrário de  Jonas Alexander Arnby, Andreas Prochaska já tem um currículo com vários créditos como diretor, a exemplo de “Morto em 3 Dias” (2006) e do telefilme “Sem Perdão” (2002).

Representante da Áustria para conquistar uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015, “O Vale Sombrio” busca dar uma repaginada em alguns elementos já consolidados nos westerns. A seleção do britânico Sam Riley, marido da atriz naturalizada na Alemanha Alexandra Maria Lara e que estourou em seu primeiro papel no cinema como o cantor Ian Curtis em “Control”, é uma das comprovações imediatas das distinções implantadas por Andreas Prochaska ao lidar com um gênero pouco popular no cinema contemporâneo.

Sam Riley é Greider, um forasteiro vindo dos Estados Unidos que se apresenta como um fotógrafo em uma vila. Sua intenção é pedir abrigo durante o inverno rigoroso, algo que consegue somente quando desembolsa todas as suas economias para Hans Brenner (Tobias Moretti), chefe de um grupo familiar que amedronta os moradores através de ameaças e, em casos mais extremos, violência.

Logo comprovamos que Greider não é quem diz ser e há motivações obscuras por trás do seu interesse em visitar um local em que uma maioria é reprimida pelos Brenner. Ao desdobrar este mistério, Andreas Prochaska realça Luzi (Paula Beer), a figura feminina principal do filme e uma opção pouco usual para a narração em off. Essas e outras escolhas garantem a “O Vale Sombrio” autenticidade e tensão. No entanto, o empenho de Andreas Prochaska em obter essas qualidades comprometem o modo como organiza os trinta minutos finais de sua narrativa, afetada por algumas escolhas modernas de edição e música dispensáveis.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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