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Resenha Crítica | Pássaro Branco na Nevasca (2014)

Pássaro Branco na Nevasca | White Bird in a Blizzard

White Bird in a Blizzard, de Gregg Araki

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Homossexual, Gregg Araki produz um cinema ficcional interessado em relatar os receios que rondam a comunidade LGBT norte-americana. Despontou no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 como um dos cineastas undergrounds mais importantes do circuito independente, criando obras com tom e estética particulares reprisadas exaustivamente em obras posteriores do mesmo segmento. Às vezes lisérgicas, às vezes fantásticas, suas histórias registram com tintas saturadas uma juventude em crise com a própria identidade.

“Pássaro Branco na Nevasca” aborda todos esses temas e a autoria de Gregg Araki é reconhecida em cada frame, conferindo ainda alguns elementos quase estranhos em sua filmografia. O principal deles talvez seja desvendar as máscaras por trás do american way of life ao acompanhar um núcleo familiar, formado pelo casal Eve e Brock Connor (Eva Green e Christopher Meloni) e a filha única Kat (Shailene Woodley), a protagonista de “Pássaro Branco na Nevasca”.

Sempre excelente, Shailene Woodley dá um passo adiante como atriz nesta parceria com Gregg Araki. A estrela não nega fogo ao expor as dúvidas que cercam a adolescente Kat e cenas de nudez e sexo são encaradas sem nenhum pudor. Com um relacionamento distante com a mãe, Kat não se mostra abatida quando ela desaparece sem deixar vestígios. Tudo indica que Eve fugiu com um amante e o fato de Brock ser um banana só reforça a impressão de que ela estava presa a uma vida indesejada de esposa e mãe.

Precisando abrir mão temporariamente da amizade com os seus BFF Mickey e Beth (os divertidos Mark Indelicato e Gabourey Sidibe) e do namoro com o seu vizinho Phil (Shiloh Fernandez) para começar a faculdade em outra cidade, Kat passa a processar que a ausência de uma figura materna em sua vida a atinge mais do que gostaria de reconhecer. Isto fica patente em seus sonhos e durante o seu regresso em um período sem aulas, revendo o seu pai com uma nova companheira (Sheryl Lee) e velhos conhecidos lhe revelando fatos que vão modificar a sua perspectiva diante das coisas.

Ao adaptar o romance de Laura Kasischke (a mesma autora de “The Life Before Her Eyes”, levado ao cinema por Vadim Perelman em “Sem Medo de Morrer“), Gregg Araki nem sempre oferece uma cadência adequada à história diante da mudança de densidade a partir da segunda metade de “Pássaro Branco na Nevasca”. Por outro lado, se sobressai totalmente na direção de elenco, na ambientação conferida a uma década de 1980 embalada por músicas de grupos como “New Order”, “The Psychedelic Furs”, “Depeche Mode”, “Tears for Fears” e “Siouxsie & the Banshees” e com um clímax inegavelmente surpreendente.

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