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Resenha Crítica | Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência (2014)

Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência | En duva satt på en gren och funderade på tillvaron

En duva satt på en gren och funderade på tillvaron, de Roy Andersson

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O cineasta sueco Roy Andersson levou 14 anos para realizar a trilogia intitulada “Sobre Ser Um Ser Humano”. Formada por “Canções do Segundo Andar” (2000), “Vocês, Os Vivos” (2007) e “Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência”, o trio deixa evidente o estilo pouco usual de Andersson em contar e filmar uma história. Um conjunto de esquetes morosas molda as obras citadas, cada uma flagrando comportamentos humanos com um tom melancolicamente cômico.

Ainda que não apresente nenhum progresso diante dos dois títulos anteriores da trilogia, “Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência” conquistou o júri presidido pelo compositor Alexandre Desplat na última edição do Festival de Veneza. A concorrência era forte: “Homem-Pássaro” (de Alejandro González Iñárritu), “The Postman’s White Nights” (de Andrey Konchalovskiy), “Pasolini” (de Abel Ferrara), “The Look of Silence” (de Joshua Oppenheimer), “3 coeurs” (de Benoît Jacquot), entre outros.

Com uma apresentação em blocos que causa a sensação de aleatoriedade, o roteiro traz uma série de personagens diante do marasmo ou do fim da existência. Entre todos, Jonathan (Holger Andersson) e Sam (Nils Westblom) são os que mais ganham realce, dois senhores que vendem artigos de humor com a intenção de trazer um pouco de alegria para a vida de seus clientes. O negócio é um fracasso e a falta de entusiasmo da dupla não colabora nem um pouco.

Embora inegavelmente divertido a princípio, “Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência” imediatamente sucumbe à repetição e ao despreparo de dar maior coesão às pequenas histórias que observa, falhas bem características de Roy Andersson encaradas como virtudes por aqueles que têm um maior apreço pelo seu cinema. A situação de uma professora de dança que tenta seduzir o seu aluno, por exemplo, se alonga até o riso cessar e, assim como em outras esquetes, carece de uma boa resolução. Eis um caso de cineasta que, para o bem ou para o mal, prossegue agradando exclusivamente aos seus fãs sem a preocupação de seduzir novas plateias.

One Comment

  1. Bom, mas agradar somente aos fãs não é uma coisa boa, na minha opinião. Acredito que o cineasta sempre deve buscar a comunicação com o maior número de pessoas possível.

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