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Resenha Crítica | Boa Sorte (2014)

Boa Sorte

Boa Sorte, de Carolina Jabor

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Diretora dos cinco primeiros episódios do seriado “A Mulher Invisível”, Carolina Jabor já tinha dado indícios de que seguir os rumos de seu pai Arnaldo Jabor era uma mera questão de tempo. Somando créditos na tevê e em documentários (ela co-dirigiu “O Mistério do Samba”), Carolina faz sua primeira investida na direção de longa-metragem com “Boa Sorte” se cercando de grandes nomes de nossa cinematografia.

Baseado no conto “Frontal com Fanta”, o próprio Jorge Furtado que o escreveu realiza a adaptação em parceria com o seu filho, Pedro Furtado. Há ainda a colaboração de Guel Arraes (“O Auto da Compadecida”) como produtor associado, direção de arte de Claudio Amaral Peixoto (“O Palhaço“) e ninguém menos que a veterana Fernanda Montenegro no elenco interpretando Célia, avó de Judite (Deborah Secco), uma jovem soropositivo presa a uma clínica.

É através dos olhos de João (João Pedro Zappa, de “Éden” e “Disparos”) que acompanhamos a degradação de Judite, que se vale de artimanhas para continuar sustentando o seu vício por drogas até que a morte dê um ponto final prematuro em sua existência. Como primeira paciente a conhecer na clínica, João imediatamente desenvolve uma sintonia com ela, culminando em um relacionamento rondado de perdas e danos.

Com uma carreira estabelecida em telenovelas, mas disposta a se desafiar como atriz de cinema, Deborah Secco dá um passo além de “Bruna Surfistinha” com uma entrega física e emocional intensa em “Boa Sorte”. Carolina Jabor também mostra a que veio ao menos na primeira metade do filme, conferindo uma atmosfera pulsante diante da dinâmica desregrada de seus protagonistas, que acreditam atingir a invisibilidade a todo o instante em que “viajam” com o consumo simultâneo de comprimidos de frontal e Fanta sabor laranja.

Falta ousadia no encaminhamento para a conclusão de “Boa Sorte”. A autenticidade do registro é comprometida ao se deixar contagiar com o enfraquecimento de Judite, dando ao filme um redirecionamento piegas. Há até a exibição de registros artísticos que pretendem dar um ar mais poético à narrativa, o que não funciona. Em vista do potencial de todos os envolvidos, “Boa Sorte” fica a dever ao se assemelhar a outros dramas de isolamento em um ambiente de reabilitação.

2 Comments

  1. Conheço o trabalho de Carolina Jabor como roteirista. Não sabia que ela tinha essa experiência atrás das câmeras. De toda maneira, acho difícil que esse filme chegue aos cinemas da minha cidade.

    • Kamila, Deborah Secco é um ótimo chamariz para não limitar o filme apenas ao circuito alternativo. Chegou a ser lançado por aí?

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