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Resenha Crítica | Jamie Marks Está Morto (2014)

Jamie Marks Está Morto | Jamie Marks is Dead

Jamie Marks is Dead, de Carter Smith

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Sem ter obtido o sucesso pretendido com a sua estreia como diretor de longa-metragem em “As Ruínas”, adaptação do célebre romance homônimo de Scott B. Smith, Carter Smith levou seis anos para lançar um segundo longa amargando uma nova falta de visibilidade. Como todo bom cinéfilo sabe, sucesso comercial nem sempre é sinônimo de bom filme e “Jamie Marks Está Morto” é um exemplo de obra que merece ganhar vida além do circuito de festivais.

Como nos melhores filmes contemporâneos do gênero, o terror em “Jamie Marks Está Morto” se mostra mais um elemento dramático do que propriamente um recurso para gerar um frio na espinha. A fase juvenil atravessada por Adam McCormick (Cameron Monaghan) é mais assustadora do que os fantasmas que o assolam, como o de Jamie Marks (Noah Silver), adolescente encontrado morto e seminu próximo a um rio.

Adam não tolera que a sua mãe Linda (Liv Tyler) mantenha a amizade com Lucy (Judy Greer), vizinha que a deixou na cadeira de rodas após um acidente. Há também o relacionamento difícil com o seu irmão mais velho Aaron (Ryan Munzert), cada vez mais violento. Ao se aproximar de Gracie (Morgan Saylor), colega de classe que encontrou o corpo de Jamie Marks, Adam inicia um período em que passa a compreender a própria sexualidade, especialmente quando Jamie surge do mundo dos mortos com a intenção de estabelecer laços.

Desta vez se inspirando em um romance de Christopher Barzak, “One for Sorrow”, Carter Smith não abre mão de circunstâncias em que o sobrenatural se manisfesta com intensidade, como nas aparições de Frances (Madisen Beaty), uma garota que dizimou sua família e atualmente presa entre o plano material e o espiritual após cometer suicídio. No entanto, é na sensibilidade como é construída a relação entre Adam e Jamie – e no empenho da dupla Cameron Monaghan e Noah Silver – que o filme encontra os seus principais valores. Deixa-se de lado uma possível resolução quando ao que resumiu a existência de Jamie para realçar uma observação obscura sobre o efeito devastador causado pelo abandono e o desajuste durante o desenvolvimento da própria identidade.

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