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Resenha Crítica | A Moça e os Médicos (2013)

A Moça e os Médicos | Tirez la langue, mademoiselle

Tirez la langue, mademoiselle, de Axelle Ropert

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Não há cinema que produza mais as histórias de amor cheias de amargura do que o francês, trazendo resultados que podem mais repelir do que atrair. Seja nos clássicos de Jean-Luc Godard ou nas obras contemporâneas de Philippe Garrel, há sempre uma frieza na construção (ou deterioração) do amor diante de um par, o que garante diálogos pretensiosos e interações que carecem de algo mais vívido.

É também fato que o cinema francês é notório em rever as estruturas mais cansadas dos romances para apresentar algo que garanta ao espectador uma experiência realmente autêntica. Atriz com carreira como diretora iniciada a pouco tempo, Axelle Ropert não provoca fortes estrondos com “A Moça e os Médicos”, mas é louvável os novos prazeres que impõe em uma premissa a princípio batida.

Sim, “A Moça e os Médicos” é mais uma história que gira em torno de um triângulo amoroso. Porém, há aqui um charme que não o torna improvável ao ponto de se transformar em uma piada grosseira como muito se vê em produções de outras nacionalidades. Além do mais, Louise Bourgoin, uma revelação recente do cinema francês, é uma singularidade de mulher, tornando crível a atração instantânea que sua presença provoca nos irmãos Boris e Dimitri Pizarnik (respectivamente Cédric Kahn e Laurent Stocker), dois médicos habituados em trabalhar em parceria e que atendem Alice (Paula Denis), a filha diabética de sua personagem, Judith Durance.

É bem visível as distinções entre esses irmãos, sendo Boris um sujeito que se deixa contaminar pela descrença que tem da felicidade plena e Dimitri alguém que esconde o vício pelo álcool com um bom humor que o faz ter uma impressão extremamente positiva diante de seus pacientes. Nada mais natural que o humor se manifeste sutilmente quando ambos declaram o seu amor para Judith em um intervalo de tempo quase inexistente, o que assegura risos potencializados com a escolha da também roteirista Axelle Ropert em deixar às claras as intenções desse trio atingido no passado pelas desilusões do amor.

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