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Resenha Crítica | Relatos Selvagens (2014)

Relatos Selvagens | Relatos salvajes

Relatos salvajes, de Damián Szifrón

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

No mundo globalizado de hoje, é impossível não vivermos a todo o instante à beira de um ataque de nervos. Qualquer coisa é capaz de provocar o nosso estresse, seja o trânsito, a fila enorme do supermercado, as burocracias dos procedimentos para atendimento ao cliente, o barulho ocasionado pelo vizinho em horário inadequado… Primeiro trabalho de Damián Szifrón a receber lançamento no Brasil, “Relatos Selvagens” é exatamente sobre esses empecilhos do cotidiano que nos fazem rebelar com irracionalidade.

Também autor do roteiro, Damián Szifrón criou seis segmentos que mostram personagens que se comportam dos modos mais inesperados quando a paciência se dissipa. Os passageiros de um voo turbulento que descobrem conhecer uma pessoa em comum é a história que dá o tom ao filme. Não tão inspirado, o próximo segmento mostra uma garçonete (Julieta Zylberberg) revendo um sujeito desprezível (Cesar Bordon) que logo vira alvo de uma cozinheira (Rita Cortese) com passagem pela cadeia.

No quase cartunesco “O Mais Forte”, Leonardo Sbaraglia vive um homem de negócios totalmente deslumbrado com o seu novo Audi, o que o faz inclusive provocar o motorista (Walter Donado) de um Peugeot modesto. A reviravolta é digna de “Encurralado”, de Steven Spielberg, com a diferença que o vilão não tem medo de esconder a própria face. Em “Bombita”, o astro Ricardo Darin é Simon, um engenheiro responsável pela demolição de edifícios que vive um dia de cão a partir do instante que o seu veículo é guinchado pela prefeitura.

Há mais dois relatos selvagens. Em “A Proposta”, os risos fazem um intervalo para acompanhar a teia de manipulações que o milionário Mauricio (Oscar Martinez) se envolve quando tenta livrar a barra de seu filho Santiago (Alan Daicz), que matou uma mulher grávida ao dirigir imprudentemente. “Até que a Morte nos Separe” fecha “Relatos Selvagens” com chave de ouro ao trazer Romina (Erica Rivas) descobrir sobre a infidelidade de seu companheiro Ariel (Diego Gentile) em plena festa de casamento.

Ao contrário do que estamos cansados de testemunhar em nove a cada dez longas-metragens moldados a partir de micro roteiros, “Relatos Selvagens” não apresenta um desequilíbrio de qualidade abissal. Excetuando as resoluções pouco impressionantes dos seguimentos protagonizados por Julieta Zylberberg e Oscar Martinez, Damián Szifrón obtém bons resultados com as suas histórias. O problema está na estrutura. Sem ter um elo mais forte do que as ações selvagens cometidas por cada personagem central, o longa sempre apresenta sinais involuntários de exaustão em meio a explosões de fúria que receberiam melhor destino caso comportados individualmente como curtas-metragens.

3 Comments

  1. Interessante, Alex. Que bom que o filme mantém a constância, apesar de baseado em micro roteiros. Anotei a dica!

    • Kamila, é torcer para que a Warner não demore para lançá-lo agora em homevideo.

  2. Oh cara, que bom que eu te descobri kkk Gostei demais da resenha, adoro esse filme.

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