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Resenha Crítica | Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (2014)

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 | The Hunger Games: Mockingjay - Part 1

The Hunger Games: Mockingjay – Part 1, de Francis Lawrence

Suzanne Collins definitivamente não é uma grande escritora, mas não há dúvidas de que foi certeira nos desenvolvimento dos temas que trabalha na trilogia literária “jogos Vorazes”. A americana se cercou de boas referências ao criar um universo dividido em distritos controlados pelo President Snow (Donald Sutherland), que anualmente promove o massacre que dá título à franquia. Suzanne se apropriou de realities shows e da mitologia grega em busca de um diálogo com uma geração jovem cada vez mais sintonizada à política. O conteúdo é rico e exatamente por isso “Jogos Vorazes: A Esperança” se torna o primeiro filme a não sair prejudicado com uma divisão em duas partes.

A primeira metade do romance “A Esperança” é transposta aqui e há muitos acontecimentos reservados para 20 de novembro de 2015, data em que será lançada a derradeira “Parte 2”. Não há aqui a sensação de que o material foi esticado, um fenômeno que acometeu “Harry Potter” e “Crepúsculo” nos capítulos finais e agora “O Hobbit“, cujo livro relativamente curto foi transformado em uma trilogia com aproximadamente oito horas de duração. Só há dois equívocos originalmente concebidos por Suzanne Collins e lamentavelmente mantidos pelo cineasta Francis Lawrence e os seus roteiristas: a ridícula busca por Prim (Willow Shields) após o seu desaparecimento em um instante de reclusão forçado e um discurso desnecessário de Finnick Odair (Sam Claflin) usado no clímax de “A Esperança – Parte 1”.

Começa exatamente do ponto em que terminou “Em Chamas” essa sequência que substitui o colorido deslumbrante da qual a franquia é notória para um ambiente acinzentado de guerra permanente. Nada mais adequado para ilustrar o Distrito 13, antes dado como destruído e agora em funcionamento para iniciar uma revolução contra o Presidente Snow. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) promoveu involuntariamente uma esperança para mudar o estado das coisas e não estando ciente das suas habilidades de liderança, aceita o convite da Presidente do Distrito 13 Alma Coin (Julianne Moore) para incorporar o Tordo, o símbolo de uma revolução enfim posta em prática por uma maioria oprimida desde a sua existência.

Além de maior ênfase em Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e Gale Hawthorne (Liam Hemsworth), vértices que formam com Katniss um triângulo amoroso que jamais soa aborrecido, há a entrada importante de Cressida (Natalie Dormer), jovem que abandonou as firulas de Capitol para derrubar Snow. Sua missão é inserir Katniss em campos de batalha e flagrar com câmeras as suas reações mais espontâneas para converter em conteúdo de propaganda política. Haymitch Abernathy (Woody Harrelson), Beetee (Jeffrey Wright), Boggs (Mahershala Ali), Effie Trinket (Elizabeth Banks, inserida digitalmente após filmar a sua participação isoladamente em estúdio) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) fecham o grupo de principais aliados de Katniss.

Ainda que o principal foco de “A Esperança – Parte 1” seja o resgate dos vitoriosos em Capitol (incluindo Peeta, capturado por Snow no instante em que Katniss é resgatada pelo Distrito 13 na conclusão de “Em Chamas”), o filme é feliz ao mostrar uma heroína mais vulnerável do que se espera, um reflexo da máxima de que grandes símbolos de revolução nada mais são do que mártires para que aqueles nos bastidores possam exercer plenamente as suas ideologias. Acompanhar as respostas de outros distritos pelo declínio de um totalitarismo rende também grandes momentos, em especial aquele em que a explosão da represa que alimenta a energia de Capitol é embalada por uma canção de Katniss, “A Árvore do Enforcamento”. Que “A Esperança – Parte 2” venha para cumprir a promessa de ser um encerramento espetacular para a franquia “Jogos Vorazes“.

4 Comments

  1. Gosto muito da franquia “Jogos Vorazes”. Acho que a história da trama é muito inteligente e muito bem conduzida pelos diretores que já trabalharam com a obra. Por isso, minha ansiedade em relação a esse primeiro “A Esperança”, especialmente pelo fato da trama ficar mais densa e mais pesada.

  2. Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 é uma obra jovem, mas trabalhada de uma maneira madura e eficaz, honrando uma construção de um enredo visionário e que critica a opressão e os efeitos de uma guerra. Eis uma obra que soube montar uma trama ágil, reflexiva, e capaz de usufruir de todos os bons artifícios para entregar ao Mundo um desfecho épico.

    • Brenno, pude terminar a leitura de “A Esperança” no ano passado e creio que o encerramento irá superar todas as expectativas. Gostei muito desta primeira parte, mas ainda prefiro a potência de “Em Chamas”.

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