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Resenha Crítica | Para Sempre Alice (2014)

Para Sempre Alice | Still Alice

Still Alice, de Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Alice Howland (Julianne Moore) comemora os seus 50 anos desfrutando uma felicidade plena. Professora universitária, Alice está muito bem consigo mesma. O seu marido John (Alec Baldwin) passa por uma fase muito próspera em sua profissão e sua filha Anna (Kate Bosworth) está realizada como a esposa de Tom (Hunter Parrish). Charlie (Shane McRae), o filho do meio, é um modelo exemplar de jovem bem-sucedido. O único fato que deixa Alice relativamente intrigada é a escolha profissional de Lydia (Kristen Stewart), a filha mais nova que investe em uma carreira como atriz teatral com um futuro incerto. Isto é patente quando Alice celebra o seu aniversário com a ausência de Lydia. É a peça que resta em uma vida perfeita que começa a desmoronar conforme progride a narrativa de “Para Sempre Alice”.

Sempre em pleno controle de suas faculdades mentais, Alice suspeita que há algo errado consigo mesma ao vacilar durante uma palestra. Porém, é ao se perder durante as suas costumeiras corridas vespertinas que Alice desmorona diante do marido, o que a faz procurar um médico para a realização de uma bateria de exames que confirmam o diagnóstico aguardado: Alzheimer. A doença abate Alice precocemente e o fato dela exercer forte uso de seu intelectual em seu trabalho fará que os danos sejam ainda mais devastadores.

Casados, os diretores Richard Glatzer (abatido pela esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa que limita a articulação do corpo) e Wash Westmoreland lidam em “Para Sempre Alice” com um tema que lhe aparentam ser muito caro. Em seus melhores momentos, o filme possibilita uma experiência devastadora, como aquele em que Alice orienta a si mesma em uma gravação a acabar com a própria vida caso atinja um estágio em que seja incapaz de responder a três perguntas básicas e essenciais. Há também a tensão por traz da possibilidade de suas filhas Anna e Lydia contraírem uma doença genética.

Por mais claras que sejam as boas intenções de “Para Sempre Alice”, não há como não desconsiderar a sua falta de relevância como obra fílmica. Primeiro porque “Para Sempre Alice” adota soluções que mais o aproximam de um telefilme do que propriamente um projeto destinado ao cinema. Há também os chavões que tornam didático um drama que deveria arrebatar. É mesmo preciso mostrar Alice se deparando com um xampu guardado equivocadamente na geladeira? E o que dizer das folhas que despencam de um púlpito durante uma palestra motivacional? É certo que o espectador receberá uma recompensa maior caso se disponha a ver (ou rever) “Longe Dela”, um registro sobre o Mal de Alzheimer conduzido com o pulso mais firme de Sarah Polley.

4 Comments

  1. Ainda não conferi o filme, mas me parece ser, e sua crítica me é fiadora, o típico filme americano sobre doenças/paralisias terminais. “LONGE DELA” tinha o mérito de ir além…
    abs

    • Reinaldo, é exatamente isso. Sei que a comparação com “Longe Dela” pode parecer injusta, mas não há como recordar dele como um modelo adequado e melhor sobre a mesma premissa. Um abraço!

  2. Ainda não conferi o filme, mas estou ansiosa, especialmente para ver se o que andam falando das atuações de Julianne Moore e Kristen Stewart é verdade.

    • Kamila, eu realmente não compartilho o mesmo entusiasmo quanto ao desempenho de Julianne Moore. Tanto ela quanto Kristen Stewart estão melhores em outros filmes lançados recentemente: respectivamente, “Mapas Para as Estrelas” e “Acima das Nuvens”.

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