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Resenha Crítica | Marcas da Vida (2013)

Marcas da Vida | Sunlight Jr.

Sunlight Jr., de Laurie Collyer

Assim como demonstrou no ainda inédito no país “Sherrybaby”, a diretora e roteirista Laurie Collyer parece interessada em focar as suas lentes em tipos de certa forma ignorados em uma sociedade capitalista. Se em seu filme de 2006 ela ofereceu a Maggie Gyllenhaal o papel de uma ex-presidiária tentando se reconciliar com a família e com o meio que volta a transitar, em seu novo “Marcas da Vida” há um casal cujo amor é posto em xeque com as adversidades de uma existência que insiste em se estagnar.

Melissa (Naomi Watts) trabalha em um mercado chamado Sunlight Jr. (título original do filme). Atuando atrás do balcão há aproximadamente oito meses, Melissa sabe que esta função não a fará progredir de nenhum modo. O seu chefe (papel de Antoni Corone) é daqueles que tratam os seus subordinados como meros objetos a cumprirem expediente e a desmotivação acaba resultando em atrasos e pouca disposição para o trabalho.

Confinado em uma cadeira de rodas, Richie (Matt Dillon), companheiro de Melissa, recebe auxílios mensais do governo e ainda busca assegurar alguns trocados realizando manutenção em aparelhos eletrônicos para driblar a falta de esperança em arrumar um emprego que se encaixe em suas parcas qualificações. Um sentimento de inferioridade, patente com as aparições de Justin (Norman Reedus), ex-namorado de Melissa, o faz se entregar constantemente ao álcool.

A gravidez vinda no momento em que Melissa reflete sobre a possibilidade de ingressar o ensino superior tumultua as coisas ao ponto de ambos se aproximarem em uma situação de miséria. No entanto, Laurie Collyer conhece muito bem esse universo e desconsidera  um sentimento de piedade ao construir dois protagonistas errantes com tendências em sucumbir ao declínio pleno. Acerta, portanto, ao conferir o amor entre Melissa e Richie a força brutal capaz de empreender a mudança radical para um futuro melhor em um cenário que oferece poucas possibilidades.

2 Comments

  1. Me lembro de ter assistido a “Sherrybaby”, um filme que se destaca pela atuação de Maggie Gyllenhaal. Fiquei curiosa em relação a esse “Marcas da Vida”, que parece ser bem interessante.

    • Kamila, admito que ainda não vi “Sherrybaby”, embora eu conheça a sua premissa. Foi um filme que recebeu uma boa acolhida pelo pequeno público que o viu. É certo que um dia eu o verei.

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