Resenha Crítica | O Menino e o Mundo (2013)

O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo, de Alê Abreu

Há ainda muitos protestos quanto a predominância de comédias populares dominando o circuito nacional. Por outro lado, não se pode reclamar sobre a diversidade cada vez mais forte de nosso cinema. As possibilidades dentro de outros gêneros e técnicas têm se expandindo e “O Menino e o Mundo” veio no ano passado como um exemplar a fortalecer a animação brasileira.

Em seu segundo longa-metragem, Alê Abreu (“Garoto Cósmico”) nos faz acompanhar através de seus próprios desenhos as aventuras de um garotinho testemunhando o caos do mundo globalizado após seguir os passos de um cãozinho próximo à casa em que mora. Aos poucos, paisagens como os trilhos de um trem e um campo de algodão dão lugar a um cenário urbano marcado pela vida noturna, o consumismo e a poluição.

Também autor do roteiro, Alê Abreu é sábio ao criar um filme com apelo universal. Os raríssimos diálogos se dão com o português invertido para realçar o ótimo trabalho musical e a comunicação visual de cada parada do protagonista é feita com letras de ponta cabeça que não formam palavras ou sentenças muito claras.

A honestidade da produção, aliado a trama com uma resolução ecologicamente correta como um alerta para os pequenos, acaba se sobressaindo diante das deficiências de “O Menino e o Mundo”. Exibir no clímax trechos de “Ecologia” (1973), “Iracema, Uma Transa Amazônica” (1974) e “ABC da Greve” (1979) dão uma quebra não muito bem-vinda ao filme e o excesso de enquadramentos de perfil sob um fundo inexistente causam confusão quanto aos ambientes transitados.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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