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Resenha Crítica | Bem-vindo a Nova York

Bem-vindo a Nova York | Welcome to New York

Welcome to New York, de Abel Ferrara

Parece até uma pretensão da parte de Abel Ferrara em submeter Gérard Depardieu, ator francês com mais de 200 filmes no currículo, em uma coletiva com jovens jornalistas perguntando sobre os métodos que utiliza para incorporar um personagem. No entanto, em mais de 45 anos de carreira, Depardieu nunca foi visto em um papel que o desafiasse tanto, especialmente fisicamente.

Com 66 anos, Gérard Depardieu vive Devereaux, figura totalmente inspirada no milionário Dominique Strauss-Kahn. Durante a primeira meia hora de “Bem-vindo a Nova York”, o que se vê é Devereaux mergulhando em uma rotina regada a sexo com garotas de programa de luxo. Trata-se de um sex addict, um animal selvagem que não mede esforços para saciar os seus desejos, o que inclui o ataque a uma camareira cuja denúncia de abuso sexual promete destruir a sua reputação e a de toda a sua família.

Abel Ferrara registra de modo cerimonioso o percurso de Devereaux de um aeroporto em Nova York até a sua prisão imediata. Momento em que Gérard Depardieu é visto ofegante, seja ao andar por longos corredores, seja removendo ou vestindo suas roupas durante uma revista na penitenciária. Também não faltam discussões, já em prisão domiciliar, com a esposa Simone (Jacqueline Bisset, tão extraordinária quanto Depardieu) que sempre o deixam em uma posição desconfortável de inferioridade.

Sendo fiel aos desdobramentos na justiça do processo contra Dominique Strauss-Kahn, como a inclusão de uma denúncia de uma jornalista que também alegou ser abusada sexualmente pelo ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Abel Ferrara se vê novamente cômodo em lidar com temas que lhe são caros, como a depravação do homem e a descrença de uma justiça falha, tudo colaborando para a construção de um bom estudo de personagem. Dono de uma energia que o faz produzir um filme por ano, o cineasta faz de “Bem-vindo a Nova York” o seu melhor feito em muito tempo.

2 Comments

  1. Confesso que conheço pouco da filmografia do Ferrara, mas fiquei bastante curiosa em relação a esse filme, principalmente por causa da sua resenha crítica e dos seus bons comentários no Twitter sobre a obra.

    • Kamila, ainda preciso ir mais a fundo na filmografia do Ferrara, mas este é sem dúvida um dos seus melhores trabalhos recentes.

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