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Resenha Crítica | Mil Vezes Boa Noite (2014)

Mil Vezes Boa Noite | 1,000 Times Good Night

Tusen ganger god natt, de Erik Poppe

A função de fotógrafo de guerra rende prestígio para aquele que é valente ao capturar as tragédias mais chocantes de um país em conflito. Rebecca Thomas (Juliette Binoche) é considerada uma das cinco maiores desta profissão, mas não é vista com bons olhos pela sua própria família.

Marido de Rebecca, Marcus (Nikolaj Coster-Waldau) tem com ela duas filhas, Steph (Lauryn Canny) e Lisa (Adrianna Cramer Curtis), já preparadas com a possibilidade dela não retornar de uma de suas viagens. É o que quase acontece quando Rebecca acompanha mais do que deveria uma jovem mulher com a missão de acionar as bombas escondidas debaixo de suas vestes em um local do Afeganistão. O atentado mata inúmeras pessoas e deixa Rebecca em um estado que a obriga a se recuperar em seu lar.

Marcus diz que não aguenta mais esta situação e diz que irá se separar de Rebecca quando ela estiver totalmente recuperada. Ao voltar a acompanhar o dia a dia de suas filhas, Rebecca reflete sobre a possibilidade de abdicar da carreira para não desestruturar ainda mais a família. No entanto, estaria firme com a decisão diante das ofertas de trabalho que não se esgotam?

Em seu quarto longa-metragem como diretor, o norueguês Erik Poppe lida de modo calculado com as passagens em que Rebecca interage com o marido e as filhas, especialmente com o interesse repentino da adolescente Steph pelo trabalho da mãe. A compensação está em se apropriar dessa dramaticidade não muito nobre para realçar a importância do papel que Rebecca sempre exerceu como fotógrafa de guerra.

Mais uma vez excelente em uma nova etapa que se desenha em sua carreira, Juliette Binoche é a escolha perfeita para viver uma mulher que produz imagens de uma realidade que todo o mundo prefere ignorar. Também um fotógrafo de guerra antes de se tornar cineasta, Erik Poppe conhece perfeitamente um ambiente marcado por conflitos que não cessam, reproduzindo de modo devastador todas as tomadas em que Rebecca faz o seu trabalho, incluindo uma conclusão dilacerante que questiona a que ponto a humanidade chegou.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Juliette Binoche parece que se encontra em uma grande fase de sua carreira, com papeis desafiadores e diferentes. Que bom! Fiquei curiosa em relação a esse filme.

    • Kamila, já era hora, pois ela tinha amargado uma fase muito ruim após levar a Palma de Ouro de Melhor Atriz por “Cópia Fiel”. Eu estou muito ansioso para vê-la como a protagonista do novo filme da Isabel Coixet, “Nobody Wants the Night”.

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