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Resenha Crítica | Uma Noite de Crime: Anarquia (2014)

Uma Noite de Crime: Anarquia | The Purge: Anarchy

The Purge: Anarchy, de James DeMonaco

Em “Uma Noite de Crime”, o diretor e roteirista James DeMonaco criou um argumento para lá de perturbador. Em um futuro próximo, os Estados Unidos teria desenvolvido um sistema em que a violência e o desemprego seriam problemas quase inexistentes através d’O Expurgo, evento que acontece uma vez por ano em que todos os cidadãos estão plenamente livres durante algumas horas para cometer qualquer crime sem serem penalizados, concentrando em um único dia toda a fúria e perversidade acumuladas durante um ano. Claro que a ideia só ficou boa no papel, pois “Uma Noite de Crime” é problemático para corresponder às expectativas.

Entre aguardar alguns anos para refazer a ideia ou aproveitar o sucesso comercial do original para rodar uma sequência que pudesse compensar os erros cometidos, DeMonaco selecionou a segunda opção. Justiça seja feita, “Anarquia” surge um ano depois remodelando o conceito do original para rumos mais promissores. Se antes a narrativa estava enclausurada em um único ambiente, em “Anarquia” há foco em modelos distintos de personagens que irão se cruzar: um protagonista (Frank Grillo) de bom coração planejando algo muito obscuro n’O Expurgo, uma mãe e filha (Carmen Ejogo e Zoë Soul) com problemas financeiros e um casal (Zach Gilford e Kiele Sanchez) sem qualquer meio de se locomover em uma área que acontecerá uma verdadeira matança.

Nesta continuação, as questões raciais continuam em pauta, mas a desigualdade social é a mazela mais evidente de uma América dita como a ideal por quem a rege. Na explosão de violência que marca cada quadra percorrida pelos personagens centrais, James DeMonaco consegue construir alguns comentários pertinentes sobre esta versão que constrói de nossa sociedade, como o pobre que se sacrifica para um grupo privilegiado em troca de dinheiro para assegurar a sobrevivência de sua família ou a caça de inocentes como mero entretenimento.

Por outro lado, há os subterfúgios baratos que só existem para prolongar os riscos, como é evidente na situação implausível de uma mulher perdendo o controle após a descoberta de infidelidade na redoma de seu apartamento. Que James DeMonaco consiga aproveitar todo o potencial do seu argumento no terceiro “Uma Noite de Crime” antes de sucumbir a mediocridade e parir uma nova franquia à lá “Jogos Mortais”.

One Comment

  1. Fábio Fábio

    Desculpe, discordo um tanto de vossa resenha. Fui assistir no cinema e o filme é eletrizante! Me prendeu do início ao fim.
    Fui sem saber que se tratava de uma sequência e gostei muito. Recomendo!

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