Skip to content

Resenha Crítica | Homens, Mulheres e Filhos (2014)

Homens, Mulheres e Filhos | Men, Women & Children

Men, Women & Children, de Jason Reitman

Jason Reitman é um jovem realizador com um currículo com filmes bem-sucedidos mais por uma boa escrita do que pelos seus esforços insuficientes atrás das câmeras. Desde “Jovens Adultos”, aquele tipo de obra que tinha tudo para ser notável caso orquestrada por outra pessoa, o canadense tem perdido o prestígio diante do público e crítica, culminando em “Homens, Mulheres e Filhos”, um fracasso comercial e, segundo a imprensa especializada, artístico. Neste que é o seu sexto longa-metragem, Jason Reitman apanhou sem merecer.

Baseado no romance homônimo de Chad Kultgen, “Homens, Mulheres e Filhos” surge com a intenção de radiografar a geração atual, com indivíduos ironicamente solitários em uma rede que os conectam a tudo e a todos. Há todos os perfis esperados, como o do casal Truby (Adam Sandler e Rosemarie DeWitt), que busca às escondidas na pornografia virtual ou nas salas de bate-papo por novos parceiros para compensar um casamento não mais excitante. O filho adolescente deles, Chris (Travis Tope), tem a puberdade comprometida com o vício por vídeos de sexo.

Outra trama a ganhar realce é a de Donna (Judy Greer), mãe solteira deslumbrada com a possibilidade de transformar a sua filha Hannah (Olivia Crocicchia) em uma verdadeira estrela. Mais do que registrar as suas habilidades como atriz ou líder de torcida, Donna também a submete a sessões fotográficas impróprias para alimentar um site pessoal. No núcleo central, também temos os namorados Brandy (Kaitlyn Dever) e Tim (Ansel Elgort) – ela sofrendo com uma mãe (Jennifer Garner) que monitora cada uma de suas ações na Internet e ele se refugiando em um game – e a anoréxica Allison (Elena Kampouris).

No primeiro ato de “Homens, Mulheres e Filhos”, Jason Reitman se deixa contaminar por este mundo de conexões com tomadas que pecam pelo excesso, como aquelas em que uma multidão passa por ambientes públicos sem que uma pessoa não esteja usando o seu próprio celular. A construção de alguns personagens também é comprometida com essa obsessão, nos fazendo questionar com o que elas trabalham para sustentar as suas belas residências. Somente os personagens de Adam Sandler e Rosemarie DeWitt são vistos em um ambiente de trabalho ou relatando o que fazem para uma companhia.

De qualquer modo, é inegável que “Homens, Mulheres e Filhos” nos mantenha cúmplices dessa galeria de tipos afetados pela comunicação instantânea ou por experiências online que buscam oferecer satisfações programadas, provavelmente pela colaboração da boa roteirista Erin Cressida Wilson (“O Preço da Traição“). Há também soluções originais para algumas ações mais drásticas, sendo a melhor aquela protagonizada por Jennifer Garner, incorporando uma mulher alheia a Internet, mas diretamente afetada por ela ao caçar os rastros de sua filha.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Infelizmente, perdi a chance de assistir a este filme nos cinemas, pois “Homens, Mulheres e Filhos” teve uma trajetória muito curta nos cinemas daqui. De toda maneira, a maior razão para eu querer assistir a obra é para poder conferir mais um filme de Jason Reitman. Gosto desse diretor.

    • Kamila, eu não gosto de Jason Reitman, tenho a impressão de que ele sempre quer emular Alexander Payne, o qual ele nunca negou ser uma inspiração. Dito isso, acho este o melhor trabalho dele por trás das câmeras, embora os rumos do roteiro colaborem muito para o filme dar certo.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: