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Resenha Crítica | O Crítico (2013)

O Crítico | El Critico

El crítico, Hernán Guerschuny

A profissão de crítico de cinema pode ser um tanto solitária. Como bem ilustra Víctor Tellez, personagem vivido pelo excelente Rafael Spregelburd, a rotina desse profissional é agitada com a presença em exibições prévias de filmes para a imprensa sem a inclusão do público (as chamadas cabines), com os problemas em exercer uma atividade cada vez menos remunerada e glamorosa e entre as interações intelectualóides com colegas de profissão ou pessoas mais próximas.

Além desses empecilhos, Victor não é uma pessoa fácil. De mal com a vida, o crítico tem problemas de relacionamento (desfez recentemente o namoro com uma mulher que ainda o contata para solicitar ajuda com uma tese), não consegue encontrar um novo apartamento para viver e é pressionado pelo seu editor a ser mais maleável com os filmes – em tom de chacota, ele diz que a última vez que Victor deu “cinco poltronas” para um filme foi há vinte anos, convertendo a novidade em feriado nacional. Somente a sua sobrinha Ágatha (Telma Crisanti) consegue lidar com ele.

A graça de “O Crítico” começa a se manifestar com mais intensidade com a presença de Sofía (Dolores Fonzi), com quem iniciará uma disputa para obter um apartamento por um bom preço em um endereço excelente. Um verdadeiro detrator das comédias românticas, Victor sente que está inserido no gênero ao se aproximar da excêntrica Sofía, uma cleptomaníaca que parece estar cheia de assuntos mal resolvidos.

De uma hora para outra, todos os chavões do gênero comentados com desprezo em suas críticas cinematográficas começam a moldar a relação. Os melhores momentos são aqueles em que Victor se deixa levar por acontecimentos que tanto o irritam, como ver Sofía caminhando ao seu encontro em câmera lenta ou a famosa sequência chamada de clipe, em que um casal faz inúmeras coisas em público com uma música melosa como trilha sonora.

Mesmo que esse esforço em contestar as fórmulas mais manjadas do gênero faça com que o diretor e roteirista estreante Hernán Guerschuny incorra a alguns erros, como um clímax digno de um thriller envolvendo um cineasta outrora detonado por Victor, “O Crítico” consegue ser irresistível e compreende a importância da inverossimilhança como fuga de uma realidade que nem sempre contempla os encantos proporcionados pela sétima arte. Porém, há o endereçamento exclusivo para aqueles que de algum modo se dedicam, através da escrita, a antecipar para o público a valia de um filme.

4 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Segunda crítica que leio sobre esse filme hoje e que reforça o meu desejo de assistir a “O Crítico”, que parece ser bem legal!

  2. Taí um filme que eu veria, me parece ser bem criativo e uma homenagem aos cri-críticos de cinema rs.

    • Marcelo, vale a pena ver, ainda mais agora que o senhor está se tornando um. ;-)

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