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Resenha Crítica | A Imagem que Falta (2013)

A Imagem que Falta | L'Image manquante

L’Image manquante, de Rithy Panht

Mais conhecido por “Uma Barragem Contra o Pacífico”, drama francês estrelado por Isabelle Huppert, Gaspard Ulliel e Astrid Bergès-Frisbey, o cineasta cambojano Rithy Panht tem vasta experiência na condução de documentários. É neste gênero que realiza a encenação de uma história carregada de episódios particulares: “A Imagem que Falta”, vencedor em 2013 do prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes e indicado no ano passado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O ator Randal Douc serve de narrador neste resgate das lembranças de Rithy Panht sobre o período em que o regime do Khmer Vermelho regia o Camboja na segunda metade da década de 1970. Os seguidores do Partido Comunista da Kampuchea promoveram uma política que resultou na morte de milhares de cambojanos, seja pela ausência de serviços básicos para alimentação e saúde, seja com a tortura e execução de civis. Rithy Panht ainda era jovem neste período e testemunhou a sua própria família sendo atingida pelas atrocidades que marcaram o país durante quatro anos.

O diferencial de “A Imagem que Falta” está em recriar este episódio trágico esculpindo maquetes e bonecos que representam cada um dos acontecimentos retidos na memória do cineasta, o que elimina a frieza que poderia corromper o projeto caso se limitasse a coletar somente depoimentos de testemunhas que sobreviveram ao caos ou a uma encenação ficcional. O processo longo e delicado dessa reconstrução em miniatura vai ao encontro das dores permanentes de um sobrevivente que encontra na arte um meio de finalmente externá-las com o desejo de algum conforto emocional.

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