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Resenha Crítica | Sem Pena (2014)

Sem Pena

Sem Pena, de Eugenio Puppo

Embora os Estados Unidos e a China estejam na liderança de países com o maior número de presidiários, o Brasil aparece como o destaque em uma pesquisa nada lisonjeira: trata-se do país com a população carcerária mais cresce no mundo. Em “Sem Pena”, o documentarista Eugenio Puppo busca desvendar o fenômeno com depoimentos que confirmam a precariedade de um sistema penitenciário ainda mais assustador do que aquele do qual temos conhecimento.

Juízes, promotores, advogados, especialistas do sistema de justiça criminal e anônimos com passagem pela cadeia são os personagens selecionados por Eugenio Puppo para darem depoimentos que constroem um panorama sobre como a justiça é aplicada em um país marcado pela desigualdade. Penitências iguais são aplicadas para criminosos que executaram ações com distinções gritantes e o enclausuramento que deveria funcionar como uma “reeducação” para um preso um dia ser reintegrado na sociedade acaba por agir de modo inverso.

Sem exibir a face daqueles que descrevem a deficiência de nosso sistema, Eugenio Puppo promove uma experiência quase sensorial ao apresentar fragmentos do estado degradante das penitenciárias intercalados com alguns flagras reveladores, como o de uma senhora que responde pelo crime de tráfico ao ter um pacote com uma substância ilícita encontrado em frente a sua residência. Revela com isso o preconceito por trás da reclusão de uma classe desfavorecida, o que, como bem dito através de um entrevistado, se configura em uma “faculdade” bancada pela população em que o preso não se reconstrói, mas sim aprende a como se manter através da criminalidade.

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