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Resenha Crítica | Amantes Eternos (2013)

Amantes Eternos | Only Lovers Left Alive

Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch

Antes figuras folclóricas, os vampiros se converteram em criaturas populares a partir de um processo de inserção literária que culminou na publicação em 1987 de “Drácula”. No que diz respeito ao universo vampírico, o romance de Bram Stoker segue insuperável, tendo colaborado para a consolidação do personagem no cinema através das sombras expressionistas arquitetadas pelo cineasta F.W. Murnau em “Nosferatu” ou pela encarnação de Bela Lugosi na adaptação homônima dirigida por Tod Browning.

No cinema contemporâneo, os vampiros se viram com o fôlego renovado não somente ao se verem inseridos em contextos atuais identificáveis pelo público juvenil, como também ao terem as suas raízes reformuladas por sucessos do cinema europeu, a exemplo de “Deixe Ela Entrar”. Uma possibilidade pouco explorada desse universo fantástico é a imunidade diante da passagem do tempo não como uma busca pelo amor eterno, mas como um estudo sobre o fardo em atravessar tantas gerações testemunhando a degradação humana.

Jim Jarmusch cunhou o seu nome na história do cinema independente americano desde o momento que pediu ao alemão Win Wenders os negativos armazenados em um freezer que restaram das filmagens de “O Estado das Coisas”, convertendo-os em “Estranhos no Paraíso”. Desde então, tem realizado obras com características bem particulares, com o interesse em enaltecer os dramas de gente comum através de narrativas preenchida por segmentos ou com um protagonista sempre em movimento.

Com “Amantes Eternos”, Jarmusch é reconhecido da primeira à última frame, mas há aqui um desejo de subverter a si mesmo e ao tema que está sendo trabalhado. Trata-se de sua primeira inclusão em um filme de terror, mas a informação não dá conta de dizer verdadeiramente o que é “Amantes Eternos”, principalmente por Jarmusch negar a chamar de vampiros dois indivíduos que carregam claras referências bíblicas, Adam (Adão) e Eve (Eva), interpretados respectivamente por Tom Hiddleston e Tilda Swinton.

Atualmente, Adam habita um apartamento de uma Detroit abandonada, encontrando na música um meio de aplacar a sua depressão. Já Eve circula por uma noturna Tânger, cidade do Marrocos, geralmente acompanhada por Marlowe (John Hurt), um sábio da sua espécie. Juntos há tantos séculos, é natural que Adam e Eve optem em pertencerem a destinos distintos, mas sempre preservando duas promessas: a de sempre se reencontrarem e a de se alimentarem somente do sangue obtido em bancos hospitalares ou meios ilegais.

Ainda que consigam controlar os próprios instintos, o casal pode não ser capaz de reverter as premonições de um infortúnio chamado Ava (Mia Wasikowska), a irmã mais nova de Eve. Com a aparência permanente de uma adolescente, Ava não compartilha os mesmos valores de sua irmã e de seu cunhado, saciando os seus desejos do modo mais primitivo possível. Temos assim a materialização do fruto proibido, a tentação que não é combatida diante da fome.

Novas analogias surgem com um desabafo de Adam para Eve, afirmando que a humanidade (ou os zumbis, como nós somos referidos) é a responsável pela destruição de seus maiores ídolos, como Pitágoras, Galileu e Tesla, e dos recursos naturais mais ricos. É, portanto, na busca pelo essencial para manter a sobrevivência que ambos vão direto à fonte para se alimentarem. Somos todos vampiros incorrigíveis prestes a cometer algum ato bárbaro, aponta Jarmusch ao final de “Amantes Eternos”.

One Comment

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Gosto da Tilda Swinton e me lembro de ter lido boas críticas dos blogueiros cinéfilos sobre esse “Amantes Eternos”. O suficiente para me deixar curiosa para assistir ao filme.

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