A arte de nos fazer rir

The Big Bang Theory

Qual a diferença entre “The Big Bang Theory”, “Friends”, “That ’70s Show” e “Two and a Half Man” com “The Office”, “Brooklyn 9-9”, “It’s Always Sunny in Philadelphia” e “Modern Family”? Aparentemente, nada. Todas são séries de humor e de vinte e poucos minutos. Mas sim, tem uma diferença, ao meu ver, fundamental: a trilha de risadas ou claque.

Isto é, o primeiro grupo de séries citadas segue essa linha clássica de comédia que avisa o espectador quando deve rir. É o tipo de coisa que nem percebemos, afinal, crescemos com isso desde “Chaves”, “Chapolin” e “Um Maluco no Pedaço”. O problema é quando a série perde o ritmo e a tirada e a trilha de risadas parece ser um “toque” ou um aviso: a piada é agora.

Tenho percebido muito isso na ultima temporada de “The Big Bang Theory”, que tem sido de longe a pior. Porém, rabugento que sou, tenho prestado mais atenção nessas risadas de fundo que nas tiradas das personagens. E muitas vezes isso é enfadonho. Uma espécie de mensagem subliminar que raramente notada, nos obriga a rir.

Talvez seja pelo fato de eu gostar tanto de séries sem esse artifício como “The Office” e “Brooklyn 9-9”, desacostumei com essas sitcoms clássicas. Ao menos se dessem a opção de assisti-las sem esses risos (opção idioma inglês sem claque). Seria uma experiência interessante.

Não que eu não goste ou não me divirta com esses seriados. Adoro “That ’70s Show”! É uma série que me faz rir até hoje, independente das claques. Tal qual “Two and a Half Man” (antes de Charlie Sheen sair e Angus T. Jones crescer), “Friends”… O problema é quando a piada não tem graça e precisamos de alguém avisando o momento de rir. Ao meu ver, isso é subestimar a inteligência do espectador.

Certa vez (não lembro quando, nem onde) Chico Anysio disse que “a risada é a sonoplastia do humor”. Sem dúvida, a falta de risos ou a necessidade de colocá-los após a fala que deveria ser engraçada é sinal de que alguma coisa está errada.

Apesar disso, aceito, sob protestos, ser tratado como estúpido e assistir essas séries com claque.

.

Paolo Enryco amadureceu em frente à tevê e por esse motivo adquiriu um humor exótico e um senso crítico rabugento. Sua formação, que varia entre o sensato e o lírico, compõe suas críticas – ou seja lá o que ele escreve aqui. Mais devaneios em Eu Penso.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em A arte de nos fazer rir

  1. Sou fã de sitcoms. Mas acho essas risadas “mentirosas” uma coisa muito forçada. Acho que a questão da live audience nas gravações funcionava muito mais!

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

Close