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Os 10 Melhores Filmes de 2014

Veja bem. Em 2014, o top 10 dos melhores do ano saiu no dia 1º de junho. Desta vez, conseguimos publicá-lo ao final do mês de abril. Um avanço, não é mesmo? Quem sabe em 2016 teremos uma lista divulgada no início de março ou, numa perspectiva mais positiva, final de fevereiro?

Criar listas é um processo desgastante. É preciso se dedicar em diagramação da postagem, nas posições para cada título, nas alterações e em revisões. Mas é também gratificante. É legal pensar na produção ou reprodução dos comentários que vão justificar as suas escolhas. Também é emocionante lembrar dos grandes momentos presentes em cada filme. Mais: em um top 10 de melhores do ano, a sensação é de que o ponto final foi dado. Vamos agora desfrutar o que o cinema vai nos apresentar ainda este ano. Que sejamos surpreendidos.

Cães Errantes | Jiao you

#10. Cães Errantes, de Tsai Ming Liang

De certo modo, a experiência de se ver “Cães Errantes” é a mesma que mergulhar em uma galeria de imagens de um artista anônimo. O desconforto inicial é paulatinamente substituído por um sentimento de fascínio quando finalmente contemplamos as mesmas imagens com um olhar já amadurecido. Trata-se de algo oferecido por Tsai Ming Liang ao longo de “Cães Errantes”: a mesma pintura visualizada por uma personagem no meio da narrativa representa a nós mesmos quando mostrada pela segunda vez em uma conclusão fenomenal. +

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Philomena

#9. Philomena, de Stephen Frears

Tudo indicava que Stephen Frears não conseguiria oferecer outro grande momento como diretor depois do close em Michelle Pfeiffer que encerra “Chéri“, uma emulação evidente da conclusão de “Ligações Perigosas”, ainda dada por muitos como sua obra-prima. Depois de não dar o melhor de si no apenas bom “O Retorno de Tamara” e de alcançar o fundo do poço com “O Dobro ou Nada“, Frears consegue provar o ótimo cineasta que é ao presentar o público com um close devastador nos belos olhos azuis de Judi Dench nos momentos finais de “Philomena”. A boa notícia é que este não é o único trunfo de sua nova realização. +

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O Lobo de Wall Street | The Wolf of Wall Street

#8. O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese

Para o bem ou para o mal, Scorsese se deixa envolver pela inconsequência de Jordan. Não é algo que contamina a sua técnica única, mas o modo como exibe o freak show em que seu protagonista é o host. Portanto, a frequência com que notas de 100 dólares são descartadas não é a a única extravagância que “O Lobo de Wall Street” se permite. Salões de orgias e consumo de drogas são alguns dos principais ambientes explorados e o humor alterna-se entre a misoginia e o cartunesco. +

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Ninfomaníaca - Versão do Diretor | Nymphomaniac - Director's Cut

#7. Ninfomaníaca: Volumes 1 & 2, de Lars von Trier

É quando finalmente Joe se aproxima do episódio em que Seligman a encontra abandonada e ferida no beco que abre “Ninfomaníaca: Volume 1″ que os relatos de Joe são devidamente validados. Os impulsos sexuais da protagonista são uma alegoria para os instintos mais primitivos que não aprendemos a reprimir, algo que garante conexão imediata com as abordagens trabalhadas nos títulos prévios do cineasta, como “Dogville” e “Manderlay”. Não se deixe enganar pela sensação de otimismo que promete se manifestar no encerramento de “Ninfomaníaca: Volume 2″. Não há nada que modifique a descrença de Lars von Trier na humanidade. +

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Sob-a-Pele-Under-the-Skin

#6. Sob a Pele, de Jonathan Glazer

Tendo como alvo principal indivíduos à margem da sociedade, era evidente o comentário que Michel Faber pretendia fazer em “Sob a Pele”, principalmente por se ater mais às interações de Isserley com esses homens tão ingênuos quanto ameaçadores. Na adaptação para cinema dirigida por Jonathan Glazer, poucos dos elementos reconhecíveis no romance de Faber se manteram. Melhor assim, pois, como filme, “Sob a Pele” se livra das amarras para fazer uma investigação extremamente sensorial das contradições humanas. +

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O Lobo Atrás da Porta

#5. O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra

Ainda que o leque de possibilidades sendo ampliado a cada ano no cinema nacional, o thriller ainda é um gênero estranho em nossa cinematografia recente. “O Lobo Atrás da Porta” presta uma colaboração imensurável a ele através de uma narrativa mantida com uma ferocidade que precisa se manifestar progressivamente. O resultado é visto no empenho de um elenco cercado de intérpretes em seus melhores momentos e em uma condução de planos sem cortes que respeita o perigo presente nas interações dos personagens. Em um ano que contou com a exibição de 102 longas nacionais, “O Lobo Atrás da Porta” é de longe o melhor. +

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 O Passado | Le Passé

#4. O Passado, de Asghar Farhadi 

Independente do cenário um tanto opressor que habitam, os personagens de Asghar Farhadi sobrevivem em nosso imaginário por lidarem com questões universais, como a fragilidade de homens na posição equivocada de autoridade e as dificuldades das mulheres em se sobressaírem diante das convenções do lar. Esses são apenas alguns dos temas que permeiam “O Passado”, talvez o filme mais completo já realizado por Asghar Farhadi. +

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Uma Vida Comum | Still Life

#3. Uma Vida Comum, de Uberto Pasolini

Sobrinho do mestre italiano Luchino Visconti, Uberto Pasolini comprova neste seu mais novo trabalho que a sua sensibilidade é hereditária. Conceber uma obra com uma história sobre as emoções que permeiam a vida e a morte requer um artista que tenha uma experiência muito ampla com as relações humanas e a solidão. É notável a sua capacidade de captar tantas informações diante de tão pouco. Cada fotografia ou cômodo que sua câmera observa traz a história de uma existência interrompida e a troca do luto pela rejeição deixa o seu registro ainda mais melancólico. +

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O Grande Hotel Budapeste | The Grand Budapest Hotel

#2. O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson

Por trás das gags visuais esplendorosas e os desdobramentos planejados com uma astúcia singular, há no âmago de “O Grande Hotel Budapeste” uma representação muito especial sobre uma necessidade inerente a qualquer indivíduo: a preservação da memória. Ao testemunhar perdas ou naturais ou promovidas pela desgraça humana em tempos de guerra, Zero encontra na curiosidade de um escritor o vínculo com uma geração posterior para possibilitar que os mesmos erros de seu passado não sejam reprisados. Na ficção, seu objetivo é alcançado através da literatura. Do “lado de cá”, a meta se materializa como um dos melhores filmes do ano. +

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Nebraska#1. Nebraska, de Alexander Payne

O coração de “Nebraska” está mesmo no relacionamento de pai e filho entre Woody e David. É habitual testemunhar em histórias como esta a figura paternal disposta aos maiores sacrifícios para compensar uma existência marcada por erros e ausências. O que se vê em “Nebraska” é o oposto, pois é David que tem a iniciativa, mesmo que tardia, de restabelecer uma ligação perdida. É um momento em que o fim como certeza de uma existência finalmente é claro para David e que o melhor a ser feito é esquecer as agruras do passado e dar o melhor de si para fortalecer as melhores memórias. +

4 Comments

  1. jiboia jiboia

    Vixi… muito intelecto!!!!

  2. João João

    Os filmes mais chatos né?! Entendi agora. O Lobo de Wallstreet não deveria estar na lista. Ele é bom demais pra essa lista chata.

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