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Resenha Crítica | Cine_Monstro, de Daniel MacIvor

Cine_Monstro

Direção de Enrique Diaz

Dramaturgo canadense nascido em 1962, Daniel MacIvor privilegia um texto solo que abarca poucos elementos cenográficos. Na adaptação em português de “Cine_Monstro”, o seu ator e intérprete Enrique Diaz assume o palco ocupado somente com três paredes de madeira que projetam uma série de imagens que representam contextos vividos por cada um dos treze personagens que incorpora, bem como uma cadeira, uma mesa preenchida por taças e copos e um triciclo.

A aproximação do espetáculo com a linguagem cinematográfica reflete diretamente o currículo de Daniel MacIvor, que soma vários créditos como diretor, roteirista e ator. É de sua autoria, por exemplo, o texto de “Trigger”, produção ainda inédita no Brasil com Molly Parker e Tracy Wright como protagonistas.

Recém-saído do sucesso de “Felizes Para Sempre?”, minissérie transmitida no início deste ano na Rede Globo, Enrique Diaz retorna com “Cine_Mostro” com uma temporada no Sesc Santo André após passagens bem-sucedidas em vários pontos do país. Diaz segue em pleno domínio do texto, se permitindo a dialogar com a plateia antes de introduzi-lo ao clima sinistro de “Cine_Monstro”, que representa o fechamento de uma trilogia formada pelas adaptações de outros dois textos de MacIvor, “In on It” e “A Primeira Vista”.

Não linear, o monólogo é centrado em um crime perverso de um jovem que esquarteja o próprio pai. No entanto, o protagonista é um homem amargo que a todo o instante se desvia das investidas de sua namorada. Diante de algumas DRs hilárias, é construída uma história que também relata traumas do passado, personagens secundários importantes para a resolução e até mesmo as consequências de um indivíduo que aspira trabalhar com cinema e o seu processo de construção artística questionável.

Com a duração aproximada de um longa-metragem, “Cine_Monstro” é ideal para o espectador que visualiza o humor negro como uma ferramenta para discutir sobre a nossa natureza ou mesmo a brutalidade absurda que cerca cotidianos aparentemente banais. É de fato desconcertante, mas embarcar na insanidade de MacIvor e Diaz rende uma experiência gratificante, despertando o interesse em revisitar o espetáculo.

A temporada no Sesc Santo André encerra neste fim de semana. Os interessados pelo texto de David MacIvor também têm como opção um livro em versão bilíngue publicado pela Editora Cobogó.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Muito bem, Alex! Parabéns por estar dando espaço a colaboradores por aqui, ainda mais se for para falar sobre teatro!

    • Kamila, bem que eu queria encontrar um “teatreiro”, mas quem está lidando com esta empreitada sou eu mesmo. Espero poder comentar outros espetáculos por aqui.

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