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Resenha Crítica | Cake – Uma Razão Para Viver (2014)

Cake - Uma Razão Para Viver - Cake

Cake, de Daniel Barnz

Comediante de mão cheia, Jennifer Aniston se viu enclausurada nas produções de comédia com o fim do seriado “Friends”. Não há nada de indigno em fazer carreira circulando em um único gênero, mas estava evidente que a intérprete de Rachel desejava alçar voos mais altos em papéis dramáticos. Foi exemplar em dois deles: Justine Last de “Por Um Sentido na Vida” e Olivia em “Amigas com Dinheiro”. Como Claire Bennett em “Cake – Uma Razão Para Viver”, Jennifer Aniston prova que é necessário mais cineastas interessados em explorar este seu lado mais denso.

A princípio, Daniel Barnz (realizador do péssimo “A Fera”) tinha suspeitas sobre o interesse de Jennifer Aniston em liderar o elenco que daria vida ao texto de Patrick Tobin, o segundo de uma carreira iniciada há quase 20 anos. Jennifer embarcou no projeto não somente como protagonista, mas também como produtora executiva, o que responde aos vários nomes célebres escalados, quase todos lhe servindo de degraus para o  topo – extenuam-se a bárbara Adriana Barraza e Sam Worthington, aqui em boa interpretação.

Mesmo que os fãs de Jennifer Aniston tenham se excedido ao ver o seu nome fora da lista de finalistas ao Oscar de Melhor Atriz, é inquestionável a sua entrega de corpo e alma à Claire, uma mulher que se reveste de um sarcasmo que desconcerta como um meio de camuflar o luto que não a abandona. A sua boca ferina pode enganar, mas há as cicatrizes de seu corpo e as dores crônicas sempre presentes para alertá-la de que é preciso dar muitos passos para de fato se permitir a alguma paz de espírito.

Nada em “Cake” é revelado com clareza ao espectador, uma decisão que não somente respeita a postura rígida de Claire, como também garante ao filme alguns momentos que expressam uma verdade dilacerante. A comoção vem com as lágrimas evitadas de autopiedade, o flagelo para se locomover, o excesso de comprimidos consumidos para amenizar a fragilidade física e em uma cena final realmente espetacular.

A pergunta é como um texto que rende tantas virtudes ao tratar sobre o luto pode carregar consigo tantos problemas bobos, que anulam a veracidade e ferocidade da perda. Silenciá-la não isenta “Cake” de negligenciar dados básicos, como a capacidade de uma mulher inválida e divorciada em ter finanças que a fazem manter não somente uma casa com alguns luxos, como também uma empregada (vivida por Adriana Barraza). As aparições fantasmagóricas de Anna Kendrick também atrapalham, quebrando a fluência de uma narrativa que se beneficiaria sem elas. Resta aguardar um novo drama que seja capaz de enaltecer plenamente uma atriz que aprendeu que a experiência cinematográfica não se faz plena apenas com largos sorrisos, mas também com tragédias essenciais para a sua completude.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Jennifer Aniston trabalha bem com comédias e dramas. Ela é uma atriz de talento e merece o sucesso alcançado. Estou bem curiosa para assistir “Cake”, filme pelo qual eu realmente achava que ela iria conseguir uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz.

  2. Mayara Mayara

    Com um olhar leigo é realmente ‘esquisito’ ver as aparições ‘fantasmagóricas’. Mas na realidade, com um olhar teórico e crítico, é perceptível que essas aparições nada mais são que alucinações causadas pela má elaboração do luto. Como dizia Freud ” O teste da realidade revelou que o objeto amado não existe mais, passando a exigir que toda a libido seja retirada de suas ligações com aquele objeto … Esta posição pode ser tão intensa, que dá lugar a um desvio da realidade e um apego ao objeto por intermédio de uma psicose alucinatória carregada de desejo.”

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