Californication, a série sanfona

Californication

Ao menos para mim, que não assistiu “The X-Files” por desinteresse sobre a sua temática, David Duchovny parece ter nascido para o papel de Hank Moody, protagonista da série “Californication” (2007-2014). Talvez por isso, tenho uma dificuldade imensa em desvincular ator e personagem.

E talvez seja isso que faça a série ser bem bacana. Para quem não tem ideia do seu enredo, trata-se de um escritor nova-iorquino que teve muito sucesso com um livro e mudou-se com a mulher e filha para Los Angeles com a finalidade de trabalhar no roteiro do filme baseado em sua obra. A partir daí sua vida muda totalmente, uma vez que a costa oeste norte-americana o corrompe moralmente, levando-o a cair de cabeça dos excessos e atrativos da indústria do cinema – isso envolve drogas e muito sexo.

Consequência disso é que ele perde sua família e, após aquilo que parece um coma de luxúria e hedonismo, ele tenta recuperar e constituir família novamente. Para isso se envolve em mil e uma confusões… Até porque uma das coisas legais da série é o fato dele ser um imã para problemas que muitos de nós às vezes até buscamos ter.

O enredo é bacana, principalmente quando o espectador acredita na glamourização de escritores num mundo cada vez mais limitado a 140 caracteres. Ao menos para a realidade nacional, o sonho californiano parece algo irreal e atraente, já que Hank, apesar de levar uma vida marginal, convive com estrelas do rock, do pop, celebridades e empresários do show business num mundo regado a bebida, drogas e sexo.

Porém, a série não ultrapassa o selo de “boa” pelo fato de com o tempo ter se tornado sanfona, no sentido que varia de uma temporada boa e uma muito ruim – que causa até vergonha alheia no telespectador.

Isso se explica no fato da série ter um viés humorístico, quando trata de confusões amorosas e temas tabus (novamente sexo e drogas) de forma cômica. Talvez numa tentativa de inserir pessoas comuns num mundo totalmente oposto ao seu, creio que Tom Kapinos, criador e escritor da série, falha ao gerar cenas típicas de uma comédia familiar italiana – com muitas confusões. Sério, soa como uma “Sessão da Tarde” com censura de “Corujão”.

Por outro lado, quando Kapinos busca sensibilidade, ele o faz muito bem. Até porque, no final, a série nada mais é que um pai reconquistando sua filha e sua ex-esposa. O problema é que ele não dosa as coisas muito bem, e usa nelas o pastelão em uma temporada e, na outra, uma temática mais séria. Por isso acaba ficando sanfona, já que a série perde sua essência – inclusive a última temporada poderia estar no rol de pastelões. Uma pena.

Fora isso, a série também conta com um elenco de apoio sólido, com atores como Natascha McElhone e o Evan Handler, respectivamente ex-mulher e melhor amigo de Hank. Além de participações especiais de atores como Rob Lowe, Marilyn Manson, Kathleen Turner, Michael Imperioli e Heather Graham.

No geral, é uma séria boa pra assistir despretensiosamente. Se fosse um livro diria para deixar no banheiro para aquela leitura sem compromisso.