Skip to content

Resenha Crítica | O Homem Irracional (2015)

O Homem Irracional (Irrational Man)

Irrational Man, de Woody Allen

Por ser um diretor que tem como maiores feitos as obras que prestam homenagens aos cartões-postais e a expressão de arte ou dramas incisivos, Woody Allen tem outras realizações in  between que adotam um tom mais sereno nem sempre vistoso pelos seus fãs mais exigentes. Subestimados, “Scoop – O Grande Furo”, “Para Roma, Com Amor” e “Magia ao Luar” foram recebidos com frieza por procederem a grandes sucessos como “Match Point”, “Meia-noite em Paris” e “Blue Jasmine”. Desta vez, é possível concordar com a recepção desapontadora conferida a “Homem Irracional”, que teve uma exibição especial no Festival de Cannes deste ano.

Embora a premissa seja muito pertinente, “Homem Irracional” é um filme com elementos que não concatenam, com soluções e escolhas difíceis de serem compradas. Ator favorito de James Gray e, atualmente, de Paul Thomas Anderson, Joaquin Phoenix tem uma presença introvertida que pode render muito nas mãos de grandes diretores. Em “Homem Irracional”, Phoenix prova que tem um grande repertório para viver Abe, um professor de Filosofia frustrado contratado para lecionar em uma universidade conceituada.

Trata-se de um intelectual com conceitos negativos sobre a vida, especialmente com as lembranças que o importunam desde que pisou como jornalista no campo de uma batalha desumana e sem sentido. A proximidade com uma colega de trabalho de sua idade e casada, Rita (Parker Posey, excelente como o esperado) e com uma aluna, Jill (a doce Emma Stone), colaboram para a mudança de Abe, que encontra um sentido para se abrir para a vida ao arquitetar a morte de um juiz (Tom Kemp) notório pelos vereditos questionáveis.

O desejo de se cometer um crime com as próprias mãos para se safar de uma situação-limite rendem uma série de dilemas já pautados por Woody Allen em obras como “Crimes e Pecados” e o já citado “Match Point”. Aqui, o veterano tem todo o arsenal para dignificar erroneamente um personagem ausente de ambições e que se revigora ao livrar do mundo um indivíduo que acredita representar o que pior há na humanidade, mas faltou-lhe vigor para acertar o alvo, ainda que tenha desenhado personagens palpáveis.

A questão é que Woody Allen adota um manual de romance policial pouco sofisticado. “O Homem Irracional” é impregnando de diálogos expositivos (como se não bastasse o excesso de narração em off), de situações pouco verossímeis que encurralam o protagonista e do uso inadequado do blues do Ramsey Lewis Trio, convergindo para um clímax cheio de impacto e ironia arruinado com recursos de antecipação de ação. Tudo isso compromete demais a fluência do conto moral, o que é uma pena.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Sua opinião sobre “O Homem Irracional” parece corroborar outras que li sobre o longa. Acho que se trata de um Woody Allen apenas mediano. Mas vou conferir, porque adoro Emma Stone!

    • Kamila, é mesmo um filme bem mediano. O que foi uma surpresa, pois, como admiti, geralmente gosto das obras do Woody Allen que não empolgaram o público e a crítica.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: