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Resenha Crítica | Beira-Mar (2015)

Beira-Mar

Beira-Mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Vez ou outra nos deparamos com um filme que traz a todo o instante o desconforto de um argumento que seria melhor valorizado se adaptado para o formato de curta-metragem. É uma constatação que geralmente persegue os esforços de cineastas iniciantes, que recorrem a subterfúgios questionáveis para alcançar o sonho de ganhar as telas de cinema. É o limite que atinge justamente “Beira-Mar”, o debut de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon.

Martin (Matheus Almada) e Tomaz (Maurício José Barcellos) são dois jovens que se tornaram amigos ainda na infância. Martin realiza uma viagem com duração de um fim de semana para resolver um problema familiar. Para não ficar só em uma bela casa à beira da praia, ele convida Tomaz, que discretamente demonstra ter mudado em vista da última ocasião em que se viram.

Com apenas 83 minutos de duração, “Beira-Mar” contém dois atos preenchidos com casualidades que nada de importante decifram sobre o contexto em que os dois protagonistas estão inseridos. Claro que existe um progresso sobre a orientação sexual de Tomaz, mas ele emerge em sessões de embriaguez e prendas entre amigos que não ressoam dramaturgicamente.

Alguns espectadores podem notar a aproximação de “Beira-Mar” com duas obras estrangeiras. A primeira é o americano “Deixe a Luz Acesa”, em que o cineasta Ira Sachs encena episódios verídicos de sua privacidade.  É também o que faz a dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, namorados que completaram recentemente sete anos de relacionamento. A segunda obra é o francês “Azul é a Cor Mais Quente”, em que a co-protagonista tem madeixas azuladas, bem como Tomaz após uma partida de Verdade ou Consequência. Felizes coincidências, nada mais.

Há, no entanto, um bom ato final reservado em “Beira-Mar”. É o momento para os sentimentos mais íntimos aflorarem e há nele uma riqueza de detalhes em uma troca precisa de olhares, de sorrisos nervosos, de gestos imprecisos. Tudo o que “Beira-Mar” precisava para ser um bom filme, algo que não se efetiva ao trocar a precisão por uma obviedade maçante que não passa de muletas para caminhar até um clímax envolvente e passional.

4 Comments

  1. Queria muito ter gostado de “Beira-Mar”, pois gosto de outros trabalhos dos diretores, seja como curta-metragistas ou como incentivadores do cinema aqui no sul, mas não cheguei nem perto de me envolver com a história que eles contam de Martin e Tomaz. Fora o fato dos protagonistas deixarem claro que não possuem experiência de atuação, o filme não me convenceu em relação à amizade dos dois. E a “virada” no relacionamento deles logo no final me pareceu muito mal explicada e desnecessária. A questão do mar e da família também não engoli. Uma pena.

  2. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Apesar de sua resenha ressaltar bastante os pontos negativos, essa é uma obra que eu ainda tenho interesse em conferir.

  3. Critiquei positivamente a obra no meu blog. Achei ótima, sem mais.

  4. Então vejamos… mais de 80 minutos que se processados, teriam como sumo sei lá, dez ou doze minutos. Necessário talvez tentar entender melhor a proposta apresentada, afinal a que veio a produção que trata de adolescentes em conflito externo e internos, etapa da vida onde nos deparamos com muitos caminhos mas que apenas um será escolhido, e sabemos bem que uma escolha tem dentro de si muitas renúncias. Enfim…
    O ambiente cinzento, o roteiro sem surpresas e a falta de assunto faz embarcar em vários cochilos e tanto faz se você perdeu cinco, dez ou meia hora de trama, acordará no mesmo ponto sem perder o sentido. O pretexto de uma jornada atrás do documento de um dos pais, ou visitar parentes que pelo visto não fazem diferença alguma na vida de ninguém. Sempre o obvio como próximo passo, previsível e sonolento.
    Então como um arauto da vingança, enfim acontecerá algo, tipo “agora tudo fará sentido” – ou se descola de vez da realidade – vem o desfecho que poderia ter ficado nas entrelinhas, afinal àquela altura todos já tinham sacado qual era a expectativa e intenções dos protagonistas, os dois jovens da trama. Não haveria necessidade de escancarar daquela forma.
    Enfim o público acorda assustado com os últimos quinze minutos e nesse instante sete saem da sala de projeção. Como diria Ingmar Bergman “Antes de lançar uma crítica é necessário ao menos tentar entender”, e nesse aspecto entendo a reação de alguns espectadores e também a boa intenção dos realizadores de À beira mar, estrear bem com tema corajoso mas que conseguiram criar enfim um curta metragem burlesco de 83 minutos, com desfecho trágico. Ricardo Klass

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