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Resenha Crítica | Dheepan – O Refúgio (2015)

Dheepan - O Refúgio (Dheepan)

Dheepan, de Jacques Audiard

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O mundo não vive apenas a crise financeira, mas também a humanitária. Milhares de indivíduos ainda persistem em buscar refúgio em países que oferecem um cenário de algum modo menos opressor e indigno. São barrados pelas fronteiras, deportação e indiferença. Somente alguns praticam um ato solidário, permitindo que uma quantidade limitada adentre o seu território.

O tema já estava em pauta durante a realização da mais recente edição do Festival de Cannes neste ano. Trata-se de um dos eventos cinematográficos mais importantes do mundo e a decisão do júri geralmente reflete o contexto político em que estamos inseridos. Uma comprovação desta afirmação está em alguns vencedores recentes, como o documentário “Fahrenheit 11 de Setembro” (laureado com a Palma de Ouro quando Bush já planejava sua reeleição) ou mesmo “Azul é a Cor Mais Quente” (Palma de Ouro em 2013 e atual expoente do cinema LGBT).

Preterido em duas ocasiões nas quais Michael Haneke foi contemplado com o prêmio máximo do Festival (por “Amor” e “A Fita Branca”), Jacques Audiard e o seu “Dheepan – O Refúgio” foram apreciados pelo júri presidido pelos irmãos Coen. As novas obras de Todd Haynes (“Carol), Hou Hsiao-Hsien (“A Assassina”), Yorgos Lanthimos (“The Lobster”), Paolo Sorrentino (“Youth”) e Denis Villeneuve  (“Sicario: Terra de Ninguém”) foram elogiadas por público e crítica, mas prevaleceu a abordagem conferida por Jacques Audiard.

No caso de “Dheepan – O Refúgio”, o enfoque de Audiard ficou somente nas boas intenções, pois este talvez seja o seu momento mais irregular em uma carreira como diretor iniciada com “O Declínio dos Homens”, de 1994. Há um bom ponto de partida, no qual um ex-soldado, Dheepan (o ótimo estreante Jesuthasan Antonythasan), busca se estabelecer em Paris ao fugir da guerra civil no Sri Lanka. Carrega com ele Yalini (Kalieaswari Srinivasan) e Illayaal (Claudine Vinasithamby) como modo de forjar uma família e assim obter estadia e trabalho em um conjunto habitacional.

A irregularidade de “Dheepan – O Refúgio” se vê no vício de Jacques Audiard em infligir às fronteiras de uma ficção calcada no realismo, como se ele próprio estivesse se refugiando de algo mais palpável. Isso porque a paz ainda não bateu à porta de Dheepan, que se verá em um campo de batalha como alusão ao seu passado recente. Seria crível se ainda não fosse inserido a isso um triângulo amoroso com o ex-presidiário Brahim (Vincent Rottiers, intérprete de Jean Renoir em “Renoir”) em uma das pontas, o ressurgimento de uma figura de líder para Dheepan (Bass Dhem) imediatamente ignorada pelo roteiro e uma conclusão ilusória e contraditória.

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