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Resenha Crítica | A Senhora da Van (2015)

A Senhora da Van (The Lady in the Van)

The Lady in the Van, de Nicholas Hytner

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Famoso dramaturgo britânico de 81 anos, Alan Bennett passou ele próprio por uma situação digna de ficção: entre os anos 1970 e 1980, ele abrigou em sua garagem Miss Shepherd, uma senhora que tinha uma van caindo aos pedaços como único lar. Conhecido por “As Loucas do Rei George”, peça de 1991 que três anos depois seria levado aos cinemas pelo então estreante Nicholas Hytner, Alan não poderia deixar de relatar como artista a sua convivência com uma velhinha aparentemente com alguns parafusos a menos.

O resultado é “A Senhora da Van”, antes narrado na BBC Radio 4, transformado em romance e agora encarnado em um longa-metragem. É também Nicholas Hytner que se encarregou em compartilhar essa história no cinema atrás das câmeras, que inicia com Miss Shepherd (Maggie Smith), uma senhora religiosa envolvendo-se em um acidente. Só se houve o barulho da batida de um sujeito contra a sua van e, na sequência, a sua fuga do local e das autoridades.

O destino fez Miss Shepherd estacionar o seu veículo em um bairro cercado de vizinhos que adoram fofocar uns com e sobre os outros. De faixada em faixada, Miss Shepherd acaba estacionando permanentemente na residência Alan Bennett (interpretado por Alex Jennings), ainda em uma fase em que não atingiu o ápice da consagração como autor. Ao mesmo tempo em que respeita o passado de Miss Shepherd (ele parece a última pessoa da Terra curioso em remexer as circunstâncias que a deixaram em um estado tão desolador), Alan entra em conflito consigo mesmo quando vê na situação um belo argumento para a escrita de um novo romance.

É inevitável não pensar em “Philomena” ao avaliar “A Senhora da Van”, pois há uma série de coincidências que os aproximam. Entre os principais, temos a vida de uma idosa voltando a ganhar movimento com o acesso a um homem intelectual e alguns traumas ou perdas que serão revividos para que uma solução seja encontrada.

Lamentavelmente, a sensibilidade de Nicholas Hytner ficou nos tempos de “As Loucuras do Rei George” e “As Bruxas de Salem”, pois a história de “A Senhora da Van” recebe aqui um tratamento descuidado e desinteressado. Sem que os protagonistas sejam submetidos a qualquer processo de envelhecimento, fica difícil acreditar que o convívio entre Alan Bennett e Miss Shepherd tenha durado nada menos que 15 anos. Pesa também a condução em banho-maria, com tiradas tipicamente britânicas e um clímax revelador que não elevam a pulsação de uma história real extraordinária.

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