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Resenha Crítica | Flocking (2015)

Flocking (Flocken)

Flocken, de Beata Gårdeler

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Estima-se que a Suécia seja o segundo país com a maior ocorrência de crimes sexuais contra a mulher, superando com facilidade os Estados Unidos, Nova Zelândia e Jamaica. Afinal, o que está enraizado na sociedade sueca para esse fenômeno continuar se propagando? A trilogia popMillennium” fez um sucesso mundial estrondoso tanto na literatura quanto no cinema, permitindo que mais vozes fossem exaltadas para fomentar a discussão sobre o tema. Como a de Beata Gårdeler, diretora de “Flocking”.

A história inicia no ponto em que Jennifer (Fatime Azemi) é socorrida em uma festa de casamento ao vomitar e quase desmaiar. No dia seguinte, ela acusa Alexander (John Risto) de tê-la estuprado. Como ambos habitam uma pequena comunidade onde todos se conhecem, a notícia do episódio se alastra de imediato. Entretanto, existe aqui uma inversão de defesas, pois Jennifer se transforma em alvo fácil de violências verbais e físicas enquanto Alexander é protegido pela família e amigos.

Assinado por Emma Broström, o roteiro também flagra outros acontecimentos cruéis, como o apoio cego da mãe de Alexander, Susanne (Eva Melande), quando a própria é alvo de violência doméstica e o monitoramento de um chat com anônimos que destroçam a figura de Jennifer. Adotam-se assim novos pontos de vista em torno desta comprovação de estupro, todos assustadores e partindo, inclusive, de mulheres.

Além do papel feminino sempre reduzido até mesmo na comprovação de crimes, há também a complacência de um coletivo diante de um indivíduo que exerce alguma autoridade, pois Alexander vem de uma família muito mais abastada e influente que Jennifer, esta vivendo com a sua mãe e irmã em uma casa modesta próxima à floresta. Lamenta-se somente o ato final. Esquemático, ele somente esclarece dúvidas sanadas pelo espectador já na primeira cena do filme.

One Comment

  1. Sabe que eu também achei o final esquemático quando saí da sala, mas depois de pensar muito nele e conversar muito também sobre, percebi que ele é fundamental, mesmo que seja apenas uma confirmação de como a vida vai continuar seguindo nessa mesma trilha por muitos e muitos anos. Pessimista, mas da qual não se pode fugir.
    700 vezes acontecerão, 700 vezes serão as mesmas culpadas, 700 vezes a sociedade fechará os olhos.

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