Skip to content

Resenha Crítica | A Bruxa (2015)

A Bruxa (The Witch)

The Witch, de Robert Eggers

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

“A Bruxa” tem provocado alvoroço desde a sua passagem pela última edição do Sundance Film Festival. Saindo desse festival de cinema independente com o prêmio de Melhor Direção, Robert Eggers vem sendo considerado uma grande promessa. As expectativas foram ampliadas com o material da produção sendo cuidadosamente divulgado e com o acúmulo de novas críticas positivas com as exibições no Festival de Toronto.

Tendo o brasileiro Rodrigo Teixeira como um dos produtores, “A Bruxa” assegurou exibições na 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo antes de seu lançamento comercial no Brasil e no mundo, programado para fevereiro de 2016. Foi um dos filmes mais disputados em toda a programação e a expectativa era de ver o terror mais assustador entre os mais recentes que vieram a público. A verdade é que o resultado não foi uma unanimidade, ainda que uma grande fatia tenha celebrado “A Bruxa” com o mesmo entusiasmo da imprensa internacional.

A competência técnica é inquestionável, assegurando a atmosfera de misticismo que cerca e amedronta Thomasin (Anya Taylor-Joy), a protagonista de “A Bruxa”, uma jovem que muda com a família para uma fazenda próxima a uma floresta obscura por desrespeitarem os preceitos de uma aldeia religiosa. Estamos na Nova Inglaterra do século XVII e o isolamento é o pior temor que Thomasin, os seus pais (Ralph Ineson e Kate Dickie) e irmãos (Harvey Scrimshaw, Lucas Dawson e Ellie Grainger) poderiam vivenciar.

Pior do que as plantações que não prosperam e o inverno rigoroso é o mal que parece enraizado no ambiente, que rapidamente causa o desaparecimento do caçula desta família, um recém-nascido capturado e morto por uma bruxa. Thomasin era a responsável pela sua guarda quando o bebê lhe foi tomado, mas, não tendo visto nada, deduz se tratar de um lobo. Mas eis que novos eventos se manifestam e todos os dedos são apontados para a inocente Thomasin.

Bruxaria, magia negra e possessão são alguns dos fenômenos principais da narrativa de “A Bruxa”, roteirizado a partir de lendas do mesmo período que recria. Era um contexto de uma sociedade movida por superstições e com verdadeiras caças às bruxas. Robert Eggers encontrou grande potencial no material, tendo respeitado inclusive o inglês agora antiquado das figuras representadas por Thomasin e sua família.

Mesmo fazendo bom uso de paisagens mortas, de uma música de Mark Korven que acentua o horror e de imagens que geram um desconforto antecipado (como o do impotente bode preto que aparentemente se comunica com os irmãos gêmeos interpretados por Dawson e Grainger), existe em “A Bruxa” a exploração não muito convincente dos credos como uma repressão, como uma impotência para confrontar os perigos que se materializam. É como se chegássemos ao final de “A Bruxa” sem acreditar integralmente no dilema entre prosseguir com as amarras da fé e a liberdade advinda do nefasto.

11 Comments

  1. Tenho evitado filmes de suspense. Não tenho mais emocional para isso! Fico nervosa assistindo a esse tipo de filme! rsrsrs

  2. Ellerbrook Ellerbrook

    Não sei se esta obra deve ser rotulada como um “filme de terror”. Ao menos não é um terror costumeiro. Eu gostei do filme, é visualmente bonito, ainda que muito escuro e de certa forma “meio embaçado”; mas devido ao imenso alvoroço antes da estréia, eu realmente imaginei muito mais. Eu diria tratar-se de um filme de suspense, um filme de drama, um filme histórico e também um filme de fantasia. Digo fantasia porque retratam superstições e o imaginário de uma comunidade.
    Ainda assim, eu considero que está acima da média das produções do gênero.

  3. Após ver o filme no cinema e ler mais sobre, chego a conclusão das sensações de agonia, medo psicológico que passei na sessão (cai do riso ao ver o rosto da bruxa e escultar seu riso pecaminoso) momento de loucura em que me vi um medo interno que em vês do susto/impulso, sotei uma gargalhada fria e sem sentido (medo/agonia). E minha imprudência ao deixar passar alguns elementos como: a iluminação natural do ambiente: a trilha sonora que casa perfeitamente com a fotografia: e outros. Sou leigo em visão critica das obras cinematográficas (roteiro,fotografia,,,), sou apaixonado pelo gênero (terror) e após esse filme vejo que necessito de mais conhecimento e visão critica. fiquei preso a filme do começo ao fim, meu corpo em transe de sensações de mal-estar e do desconhecido. Algo real e palpável.

  4. Bulldog Bulldog

    Eu achei o filme bem fraco.
    Eu não fui pra ver um filme d terror e nem pra tomar susto… E mesmo assim não gostei.
    Eu não devo ter inteligência suficiente pra gostar do filme, só pode ser… Pois aparentemente só eu não gostei.
    Achei o final fraquíssimo!

    • Tamo junto! Achei uma merda, mas depois desses comentários devo ser burra mesmo kkkkkkkk

      • O filme é uma bosta. A melhor parte é quando vc levanta e vai embora.

        • Carlos, tive o privilégio de assistir ao filme em sua primeira exibição no Brasil, tendo rolado em outubro do ano passado. O resultado é positivo, mas compreendo a sua decepção.

  5. Marcio Marcio

    Bulldog; Gabi Barros. Sobre meu ponto de vista, não é que lhes faltam inteligência, é sobre a ignorância que vocês têm sobre o seu contexto e o que o filme lhes diz. Não digo que é obrigatório gostar do filme, mas é que esse filme não foi feito para ser convencional, ele é desconstrutivo, faz mau. Vivemos numa crise econômica em que a maioria dos brasileiros passará por questões em que sua fé será “testada”. Mas daí vem inúmeras indagações, afinal, eu acredito que podemos superar tudo com dedicação, mas o filme diz que não. Eu dizia que não conseguia algo por falta de meu esforço, mas será que não há “bruxas” em nossas vidas? Esse filme é como uma piada, ele entretêm o público baseado em mazelas sociais. Não lhes dá medo vivenciar o que se passa no enredo? Eu estou vivendo um terror de contexto agora, e lhes digo que ser ignorante é muito mais saudável que se abrir para questões reais e debater sobre a terrível crítica causada pelo terror do filme.
    Não tenho intenções de lhes criticar suas opiniões, afinal, nem sei o que realmente se passa nessas suas cabeças, nem tenho o direito de julgá-los.
    Eu vejo esse filme como prejudicial à saúde. Se você se ater aos detalhes verá que ele se encaixa com o que sentimos, mesmo estando tão distante em tempo e em realidade. O filme possuí um terror especial, que machuca o psicológico e que é bem visto por vários críticos do mundo, eu não indico assisti-lo, afinal, ele educa negativamente mais do que diverte.

    • Keyla Keyla

      Adorei seu comentário. Foi assim que eu me senti ao assistir o filme. Eu classifico esse tipo de filme não como terror , mas como perturbador, está um nível acima do terror. Tente assistir Laranja mecânica.

      • Obrigado, Keyla. E eu já vi “Laranja Mecânica”, é um dos meus favoritos do Kubrick.

  6. Rony Rony

    Final fraquíssimo!!!

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: